O pacificador de uma nação

O ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, de 1994 a 1999, entra para a história como pacificador de uma nação e grande estrategista político, resumiu o cientista político Benedito Tadeu César. Na semana de despedida do líder sul-africano, que morreu em 5 de dezembro, aos 95, o senador Paulo Paim (PT-RS) o homenageou em pronunciamento no Senado, quando destacou o quanto a atuação de Mandela o inspirou, motivando inclusive a criação do Instituto da Igualdade Racial.

Responsável pela pacificação e pelo fim da discriminação racial na África do Sul, Mandela foi também, segundo o cientista político Benedito Tadeu César, um dos maiores estrategistas políticos. Ao sair da prisão em 1990, o principal líder do CNA (Partido Nacional) percebeu que a África do Sul já estava em uma situação insustentável o que o fez perceber que o caminho da conciliação era a opção ideal.

“O pais sofria uma trajetória de pressões internacionais, e estava praticamente isolado, ao ver isso Mandela percebeu que não tinha porque enfrentar algo praticamente tripudiado”, explica César. O cientista político conta que, após assumir uma posição de liderança, Mandela passou a isolar os radicais, pois não havia mais necessidade de se partir para o confronto.

“As grandes potências viram que era preciso acabar com o domínio sobre a África do Sul, pois isso diminuiria as tensões dos movimentos anticolonialistas que poderiam transformar a África em um grande caldeirão”, observou. Quanto aos efeitos das sanções impostos pelas grandes potências contra a África do Sul, devido ao regime de apartheid adotado pelo governo que não reconhecia os mesmos direitos entre a população branca e negra naquele período, o cientista político acredita que foi pouco eficaz sobre o país. César argumenta que é muito difícil uma sanção econômica ter um efeito devastador sobre um país. É o caso de Cuba que está sob embargo econômico há seis décadas e continua de pé, mesmo com muitas dificuldades.

“Em geral, o apartheid foi o último grande legado do fascismo, e por isso Mandela foi fundamental nesta luta, embora a questão do racismo na África do Sul não esteja ainda superada”. Para César, depois da luta contra o racismo, outro grande feito de Mandela foi transformar a África do Sul uma nação emergente enquanto esteve na presidência, pois atualmente o país passa por uma situação complicada.

Exemplo

Uma pessoa que conhece bem a obra do ex-presidente sul-africano é o senador Paulo Paim (PT-RS) que se encontrou com Mandela mais de uma vez. “Eu o vi, pela primeira vez no final dos anos 1980, quando visitei Soweto (bairro de maioria negra onde se concentravam as manifestações antiapartheid), na época em que ele ainda estava preso”, relata o senador. Naquela ocasião, Paim recebeu da então esposa de Nelson Mandela, Winnie Mandela, uma carta onde estavam escritas as principais ideias do líder sul-africano.

O senador lembra a influência de Mandela na sua trajetória e cita o projeto do Instituto da Igualdade Racial, ideia que teve ao ler Carta Mandela. Paim relata que fez discurso emocionado no Senado a respeito da obra e da importância de Nelson Mandela para a história. “Para mim, Mandela sabia olhar além da floresta com entendimento e conciliação, tanto que recebeu várias propostas de sair da prisão, mas recusou, dizendo que não sairia a menos que liberassem sua gente”, destacou o senador.

Texto: João Pedro Arroque Lopes (5º semestre)