O “Pepe” é pop

Ele chegou ao poder e “mesmo assim não abriu mão daquilo que acredita. Acho muito importante para nós, jovens, ter esse exemplo de pessoas que acreditam nos seus ideais e levam isso para frente. Isso é o que nos motiva, que nos alimento, nos fomenta, na esperança de um dia chegar lá e construir algo.” Com estas palavras o estudante de Geografia Rai Nunes dos Santos definiu o presidente do Uruguai, José Mujica, como “uma grande voz da América Latina, um líder de estado que reflete um pouco do que é o povo”.

Em um salão completamente lotado, “Pepe” Mujica, atraiu milhares de pessoas, sendo muitos jovens, para uma breve palestra na reitoria da UFRGS. Em quase uma hora, na quarta-feira, 10 de setembro, expôs seus principais pensamentos sobre política, economia, meio ambiente e a sociedade em que vivemos.

Logo que entrou no palco recebeu fortes aplausos. Por alguns minutos o público ovacionou de pé a presença do líder uruguaio que, no seu jeito simples, parou diante do público com seus óculos escuros e agradeceu o carinho. Já na chegada ficou clara a identificação deste senhor que beira os 80 anos e que possui um longo currículo na militância política com público jovem.

Seu discurso se volta muito para o lado humano, foca no consumismo e na que ele chama de crise política onde diz “Não podemos por fim à especulação financeira, de bancos que roubam a sorte da pobre gente. Se isso não se chama crise política, não sei o que é política.” Nesse modo atrai os novos olhares daqueles que tentam encontrar esperança dentro do espaço político mundial. Foge dos padrões ensaiados e redigidos tão comuns nos palanques atuais. Bate de frente com as grandes lideranças, abraça a sociedade e usa com extrema perspicaz as palavras, em frases fortes com ideais cravados ao longo de sua história.

Suas palavras eram admiradas com um respeito quase religioso pelo silencio que envolvia o local. Em seguida era pausado por palmas de aprovação a sua opinião, principalmente quando o assunto era guerras e seus gastos exagerados. Fez duras críticas aos modelos de governo que incentivam a criação e gastam demasiado em material bélico, se dizendo indignado com as quantias de dinheiro que vão para esses fins. Lembrou o caso de quando fora chamado de “o presidente mais pobre do mundo”, retrucou em seguida dizendo “pobre é quem precisa muito e não alcança nada”, caindo de vez na graça do público.

Kelvin Oliveira, estudante de História considera o presidente uruguaio “uma pluralidade nesse sentido de lutas e ideais, e que não é possível que apenas um grupo especifico possa compartilhar de suas ideias.” Mesmo no meio dessa pluralidade, José Mujica é o que é, enfatizando o ser humano em primeiro lugar e sua oposição ao que ele chama de “uma sociedade voltada para o consumismo exagerado”. Seu posicionamento cativa aos que se sentem órfãos de um representante, alguém que se aproxime ao máximo do povo em seus atos, para jovens no início de suas experiências políticas.

Texto: Pedro Silva (4º Semestre)

Foto: Betina Carcuchinski (4º Semestre)