O que Jango trouxe a São Borja, 37 anos depois

O processo de exumação do corpo do ex-presidente João Goulart iniciou oficialmente na manhã desta quarta-feira, dia 13, em São Borja, na fronteira oeste do Rio Grande do Sul. O objetivo é descobrir se ele morreu por envenenamento ou por causas naturais. Por volta das sete horas, 12 peritos chegaram à região, para uma análise dos restos mortais de Jango. O prefeito Farelo Almeida, o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, a Ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, o governador Tarso Genro e familiares do ex-presidente acompanharam as atividades no cemitério Jardim da Paz.

O trabalho aumentou a circulação de pessoas na cidade e alterou a rotina do comércio local. Filhos de Jango e da ex-primeira dama Maria Thereza Goulart estão hospedados num dos mais tradicionais hotéis de São Borja. Segundo Fernanda Matheus, recepcionista do Obino Hotel, os 84 quartos estão ocupados pela primeira vez nos últimos quatro anos. O mesmo acontece no Hotel Executivo, onde a ocupação é de 100% desde o dia 10. Os repórteres chegaram na manhã de ontem (12), e devem ficar até amanhã.

A Brigada Militar, funcionários da Prefeitura e a imprensa acompanharam a movimentação no cemitério desde as 6h da manhã. Cerca de 30 populares observavam o “evento” do lado de fora. Segundo o jornalista Deco Almeida, do jornal Folha de São Borja, a imprensa internacional também acompanha os desdobramentos do caso na cidade com jornalistas da Agência Reuters e do The New York Times.

A ex-primeira dama Maria Thereza Goulart, não foi a São Borja para o ato. Ela está no Rio de Janeiro, na casa de uma amiga, e se dirige amanhã para Brasília, onde ficará com a Presidente Dilma Rousseff, para receber os restos mortais do ex-presidente. João Goulart governou o Brasil entre 1961 e 1964. Morreu em seis de dezembro de 1976, na cidade de Mercedes, Argentina, supostamente vítima de um ataque cardíaco.

Texto: Ana Carolina Lopes (2° semestre)
Foto: Cristiano Garcia/Site Deco Almeida