Eleitores fazem manifestação silenciosa ao votar no segundo turno

Livros, bótons, adesivos e camisetas foram usados pelos votantes, manifestação permitida pelo Tribunal Superior Eleitoral

  • Por: Eduarda Endler (8º semestre) | 28/10/2018 | 0

No segundo turno das Eleições 2018, roupas e objetos marcaram a manifestação silenciosa dos eleitores ao irem às turnas. Nas redes sociais, a hashtag #maislivrosmenosarmas foi usada por aqueles eleitores contrários ao candidato Jair Bolsonaro (PSL). A hashtag também foi utilizada pelo candidato Fernando Haddad (PT) em sua campanha. Pelos eleitores de Bolsonaro, a hashtag #OBrasilVota17 foi usada no dia de votação.

Entre as escolhas mais comuns dos eleitores do PT está a Constituição Brasileira de 1988. Livros que lembram períodos históricos, como o nazismo, por exemplo, também foram escolhas frequentes.

Para a advogada Fernanda Pinheiro da Silva, 30 anos, “levar um livro para votar mostra que, apesar de todos os problemas, estamos caminhando rumo a evolução. Somos um dos povos que menos lê no mundo. E ver que as pessoas escolheram grandes obras permeadas de simbolismo e pensamento crítico me alegra muito. Essa campanha Mais livros menos armas foi a maior conquista dessa campanha”, salienta Fernanda.

A recém graduada em Direito escolheu a Constituição Federal para carregar nos braços no momento de decidir o rumo do Brasil. Ela conta que o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da sua faculdade teve como tema “A participação da sociedade civil na segurança pública – uma experiência do Conselho Comunitário de Segurança Pública de Guapimirim”. Segundo ela, o trabalho fala sobre a história da cidadania e no segundo capítulo há uma análise da evolução dos direitos nas constituições brasileiras desde a primeira até a de 88. “Eu nasci no ano da Constituição federal, sou filha da democracia e a CRFB/88 pra mim é um presente de todas as vítimas da ditadura que lutaram e morreram para que eu fosse livre. Hoje eu honrei a memória dessas pessoas”, salienta a graduada pelo ProUni, eleitora de Guapimirim, no Rio de Janeiro.

A estudante Bibiana Rother Nilson, 17 anos, escolheu o livro “Os meninos que enganavam nazistas”, do autor Joseph Joffo. Moradora de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, ela acredita que levar um livro à urna é uma forma de resistência à violência incentivada pelo Bolsonaro: “Tem toda aquela questão de armar a população com livros e não armas. Eu também quis demonstrar o que eu mais quero em um governo: educação, respeito, tolerância…”.

Sobre a escolha da obra, ela faz relação do nazismo com o contexto atual. “Eu identifico muito a imagem de Hitler com Bolsonaro, por todas as suas ideias de retrocesso, a intolerância, o preconceito com raças, sexualidade, gênero, com qualquer forma de resistência. São realmente pensamentos que repudio e que ameaçam a minha vida e de muitos dos meus amigos. Quis mostrar que, apesar do resultado, serei resistência sempre”, conta a estudante.

No Instagram, até o momento de finalização desta reportagem, a tag #maislivrosmenosarmas teve 6.691 publicações.

Eleitor de Bolsonaro, que preferiu não se identificar, manifestou seu voto nesta manhã. Em seu perfil no Facebook, o jovem publicou uma foto com uma bala de fuzil, junto com o comprovante de voto. Segundo ele, foi uma brincadeira. “É sobre meu candidato, mas não compactuo com todas as opiniões dele. Só que vi muito mimimi, como não agredi a opinião de ninguém, queria ver as reações”, conta o eleitor.

 

Após a publicação, ele já percebeu consequências da foto: “Estou tendo mais problemas em casa do que com os meus amigos. Impossível eu ter uma arma pra atirar com essa munição, mas eles não entendem. Além de ser um projétil inutilizado já”.

Os eleitores de Jair Bolsonaro (PSL) usaram camisetas da Seleção Brasileira de Futebol, além de se enrolarem na bandeira do Brasil. A coordenadora educacional Renata Camilo, 39 anos, foi votar usando camiseta do Brasil. “Não escolhi nenhuma camisa com nome ou foto de candidato, pois não estou votando pelo candidato. Escolhi uma camisa com as cores do meu país pois hoje meu voto é de esperança. Esperança de um Brasil mais seguro, com saúde, educação e livre (ou caminhando para ficar livre) da corrupção”, conta a eleitora de Nova Serrana, Minas Gerais.