Obra evidencia escravos que lutaram na Guerra dos Farrapos

Resgatar, por meio de um olhar jornalístico, a história de uma luta praticamente invisível na historiografia gaúcha é o principal objetivo da jornalista Vera Daisy ao lançar o livro Lanceiros Negros na Guerra dos Farrapos (1835-1845). A cerimônia de lançamento foi na quarta-feira (17/09), no Piquete Lanceiros Negros Contemporâneos, do Acampamento Farroupilha.

Pertencentes a duas milícias pouco estudadas até hoje, os lanceiros negros, cerca de cem escravos da época que participaram desde o início da Revolução Farroupilha, substituíram os filhos de seus donos durante a guerra travada contra o Império do Brasil. Segundo Vera, “embora com pouco tempo para consultar as fontes, que só foram citadas após a década de 70, tentou-se resgatar e descobrir a história destes negros que lutaram durante dez anos”.

O livro, criado em formato de caderno, integra o Projeto Camélia da Liberdade, do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP), do Rio de Janeiro. A coleção, com 20 livros publicados, já abordou temáticas como capoeira e mídia. Esta é um instrumento de divulgação da Lei 10.639/03, que estabelece a obrigatoriedade do ensino da história da África e da cultura afro-brasileira nas escolas das redes pública e privadas do país. De acordo com Vera, embora a lei exista há 13 anos, há certa resistência em seu cumprimento. “É fundamental sabermos mais sobre a África, pois é o berço da civilização”, argumenta.

Texto: Patrícia Lapuente (6º semestre)