Obras dificultam o trânsito de cegos em Porto Alegre

As diversas obras simultâneas nas mais diferentes regiões da Capital obrigam os porto-alegrenses a conviver com uma série de obstáculos para transitar por ruas e avenidas. Em alguns pontos, o pedestre se arrisca a dividir espaço com os carros nas vias sem calçadas ou vencer entulhos para chegar ao seu destino. E se esse pedestre tiver alguma deficiência que dificulte a locomoção?

Motivados por essa questão, acompanhamos o professor e telefonista Daniel Gause, 35 anos, deficiente visual, numa travessia das avenidas Anita Garibaldi e Cristóvão Colombo, ambas nas esquinas com a Terceira Perimetral. A obra da Anita iniciou em janeiro de 2013 e tem como estimativa de término o final de 2014. Já a da Cristóvão iniciou em março de 2013 e terminaria em 2015, mas está embargada judicialmente por questões de desapropriação.

A Secretaria Municipal de Acessibilidade e Inclusão Social (SMACIS) informou que recebe os projetos das obras e, a partir de então, fazem o plano de acessibilidade. Com o plano pronto, a Secretaria Municipal de Obras e Viação (SMOV) assume a responsabilidade e abre a licitação. A sinalização, porém, fica com a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). Uma vez licitado, o plano pode ser executado simultaneamente ao início do projeto.

A EPTC admite dificuldades para o pedestre deficiente visual, mas como as mudanças das obras são diárias, diz ser inviável a implantação de uma sinalização exclusiva, já que com as alterações o cego pode ser exposto a um perigo ainda maior antes da modificação do acesso. A empresa informa ainda que faz um caminho para o pedestre e procura deixar agentes no local para sinalizar e orientar a travessia. A reportagem não verificou nenhum fiscal de trânsito orientando a circulação nas quatro oportunidades que esteve nos locais para a produção dessa matéria.

Texto e Vídeo: Elisa Celia (8º semestre)