Obras e asfalto não resistem às chuvas

Planejada para impedir alagamentos, a obra de drenagem das ruas José Gertum e Ernersto Ludwig recuou devido à chuva dos últimos dias. De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), de sexta-feira (23/08) à segunda (26), o volume de chuva atingiu 169 milímetros em Porto Alegre. A média mensal para o mês é de 220 milímetros. Segundo José Vanderlei Neuburger, que trabalha na instalação da canalização desde o início do ano, a chuva destruiu o trabalho de três semanas. A previsão para a finalização do serviço era novembro de 2012. A chamada “rede pluvial de saída da bacia” faz parte de um complexo maior para contenção de água das cheias nos bairros Chacará das Pedras e Três Figueiras.

A engenheira civil Renata Gheno mora na região há sete anos. Segundo ela, há descaso em alguns aspectos das obras do Departamento de Esgotos Pluviais (DEP). Ela acredita que a responsabilidade não é completamente do órgão municipal. “Em nenhum momento questiono a competência dos engenheiros do DEP. Sei que existem pessoas extremamente competentes lá, mas que não podem trabalhar por absurdos políticos que são (infelizmente) inerentes a órgão público”, lamentou.

Ruas no Chacará das Pedras sofrem com buracos.

Insatisfeita com a lentidão nos trabalhos, a engenheira e seu marido, Renato Mumbach, também engenheiro civil, criaram uma página no facebook De olho no DEP, onde registram fotos e informações sobre locais de Porto Alegre em que se registram alagamentos. Renata afirma que um dos grandes problemas da região da Chacará das Pedras é a falta de informações para os pedestres. “Temos registro de galerias pluviais abertas sem nenhuma sinalização (que assim permaneceram por mais de 20 dias) que representam um risco gigante para população.” Galerias pluviais são estruturas quadradas que comportam mais água do que os tubos utilizados em obras.

Quanto à falta de placas de sinalização, a assessoria de comunicação do DEP informou que acredita que isto é resultado de ações externas como vandalismo ou devido a acidentes de trânsito.

Buracos no asfalto também são comuns após chuvas fortes, alega o DEP. Na terça-feira, a Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov) começou a ação tapa-buraco na Capital. Conforme site da Smov, 23 equipes foram destacadas para fazer conserto do asfalto.

Rodas dos carros são danificadas por causa dos buracos no asfalto.

Funcionário em uma borracharia na Avenida Bento Gonçalves, Breno Trentini assegura que, em períodos de chuva, há mais acidentes de carros. Os clientes procuram o serviço do local principalmente por ter o aro da roda quebrado ao passar por buracos. “A maioria dos acidentes acontece na Lomba do Sabão”. Segundo dados da prefeitura, a previsão da operação tapa-buracos é aplicar 100 toneladas de asfalto por dia.

Veja uma galeria de fotos dos estragos da chuva

Texto: Janaína Marques (6° semestre)

Fotos: Janaína Marques, Emílio Camera (3º sem) e Betina Carcuchinsk (3º sem)