Obrigatoriedade do uso de cartões traz prejuízos, diz Sintáxi

Os taxistas de Porto Alegre terão até o dia 10 de junho para oferecer máquinas de cartão de crédito e débito no pagamento das corridas. A medida atende ao decreto 18.593/14, que regulamenta a lei de monitoramento dos táxis além de prever a instalação de equipamentos GPS e o chamado “botão de pânico”. Para o Sindicato dos Taxistas de Porto Alegre (Sintáxi), não há como implantar a regra imediatamente.

No dia 3 de abril, foi realizado um encontro na sede da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), que contou com a presença de lideranças da categoria dos taxistas, dirigentes, técnicos do Banrisul que detalharam o funcionamento do sistema. Segundo o Diretor administrativo do Sintáxi, Adão Campos, que não concorda com a obrigatoriedade, a decisão foi imposta ao Sintáxi, sem que houvesse uma discussão antes. “Quando chegamos lá já estava o decreto pronto, o banco arrumado (o Banrisul) e quem paga a conta somos nós”, disse. Atualmente, dos 3.920 táxis de Porto Alegre, apenas 10% usam a máquina.

O diretor acredita que seria mais fácil aderir à medida se alguma instituição financeira comprasse a ideia de oferecer o serviço sem taxas, pelo menos durante os primeiros 12 meses. Conforme ele, se hoje os taxistas adquirissem a máquina de cartão, o custo seria muito alto e não traria retorno. A primeira proposta feita à classe cobrava taxa de 2,5% no cartão de débito e 3,49% no de crédito por corrida. “Se em um mês o taxista faz R$ 80 em corridas pelo cartão, já é o custo do sistema, e isso traria prejuízos”, ressaltou Campos.

Já o diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Capellari, afirmou que esse decreto vem sendo discutido desde 2012 com os representantes da classe, e que o convênio com o Banrisul não aconteceu de forma exclusiva e, sim, porque o banco se disponibilizou a dar descontos aos taxistas. “Estamos buscando outros agentes financeiros para facilitar nos custos aos taxistas. A máquina de cartão é essencial tanto para o consumidor quanto para a segurança do motorista”, afirmou. De acordo com o Capellari, em caso de não cumprimento do decreto, os profissionais poderão sofrer sanções, inclusive com a retirada dos táxis de circulação.

Parceira com o Banrisul

O convênio com o Banrisul oferece ao taxista o aluguel da máquina no valor entre R$ 20 e R$ 30, mas pode ser trocada por permuta com publicidade do serviço no próprio táxi. Além do valor reduzido, não haverá descontos por corrida realizada e o profissional vai ter o crédito da corrida depositado na conta no dia seguinte, sem pagar IOF. Apesar das vantagens, o equipamento atenderá apenas às bandeiras Visa e Mastercard, além do Banricompras e do VerdeCard.

Opinião dos taxistas

A obrigatoriedade divide a opinião dos taxistas. Para Rogério Silva da Costa, que trabalha na profissão há mais de 12 anos, a medida era para ser opcional porque traz mais despesas a categoria. “É um tributo a mais além das que pagamos como vistoria, Inmetro, pista, entre outras taxas”, afirmou. Já para Rudi Marques, taxista há 16 anos, apesar de achar as taxas altas para adesão, ele acredita que o uso de máquinas trás facilidade ao consumidor e também oferece mais segurança aos profissionais. “Acho que se a prefeitura franquiasse ou desse desconto para nós, valeria muito a pena”.

Texto: Edna Alves (5º semestre)