Ocupação na Reitoria da UFRGS completa uma semana

Desde a última quarta-feira, 14 de maio, estudantes de diversos cursos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), contando com o apoio de pessoas de fora da universidade, alguns coletivos e até com o Diretório Central dos Estudantes da PUCRS, ocupam a reitoria da instituição federal de ensino. O diretório acadêmico da própria universidade não está envolvido, pois, não apoia o movimento.

A ocupação começou quando, na quarta-feira passada, os manifestantes invadiram a reitoria e começaram a montar acampamento. Enquanto funcionários deixavam o prédio, barracas foram armadas e cartazes, espalhados pelas paredes tanto do lado de dentro quanto de fora do prédio. Completando uma semana instalados, eles vêm se mantendo com apoio financeiro e presencial de todos presentes.

O acampamento conta com uma média de 35 barracas, além de uma cozinha montada no próprio local. Aproximadamente cem pessoas se revezam durante os dias, e entre 30 ou 40 membros do movimento dormem no local. Graças à rede wifi da própria universidade, eles mantêm uma espécie de grupo de comunicação, que atualiza a página no Facebook com textos de manifestos e fotos da ocupação.

Um dos principais questionamentos dos ocupantes é contra a propaganda de aniversário da UFRGS, que cita como 80 anos de excelência. As maiores reivindicações são por melhor infraestrutura dentro da universidade e melhor qualidade de ensino. Além disso, também são exigidas mais vagas na Casa do Estudante, melhor qualidade do Restaurante Universitário (RU), aumento nas bolsas, melhor assistência estudantil, banheiros em más condições, inexistência de bebedouros e telefones públicos, aumento no número de professores, falta de segurança e a retirada da Brigada Militar da Universidade.

A princípio, a ocupação só vai acabar quando pelo menos algumas das reivindicações forem atendidas. “Enquanto a reitoria não tomar posição oficial mesmo, a ocupação segue firme, pois a ideia é essa mesmo. Ocupar até a vitória e conseguir alcançar nossas reivindicações”, afirmou um dos ocupantes que preferiu não ser identificado.

UFRGS enfrenta três movimentos reivindicatórios simultâneos

Quase completando seus 80 anos de existência, a UFRGS enfrenta períodos de turbulência. Além da ocupação da reitoria em andamento, os técnicos da

Associação dos Servidores da UFRGS (Assufrgs) estão em greve querendo aumento salarial. Eles realizaram um “trancaço” nesta segunda-feira, quando ninguém entrou ou saiu da universidade durante algumas horas. O prédio do Direito também está ocupado por alunos que exigem regulamentação da contratação de professores para o curso. Embora estes três movimentos apresentem reivindicações muito parecidas, eles não têm conexões nenhuma, os grupos de liderança não são os mesmos, variando entre sindicatos e coletivos estudantis.

Texto e fotos: Guilherme Almeida (5º semestre)