Avança ocupação de unidades da UFRGS

Cresce a adesão ao movimento dos estudantes que lutam contra propostas do governo Temer

  • Por: Sofia Lungui (2º sem.) e Kamylla Lemos (6º sem.) | Foto: Carolina Vicari (2º sem.) e Annie Castro (5º sem.) | 01/11/2016 | 0
O prédio da Faculdade de Letras da UFRGS foi ocupado por estudantes na última quarta-feira(26) / Foto: Annie Castro

Com a ampliação das unidades da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) tomadas pelos estudantes, Editorial J começou a acompanhar de perto a movimentação, tentando conhecer as ocupações. Algumas unidades permitiram a entrada dos repórteres, como a Faculdade de Educação (Faced) e o Instituto de Letras (IL), outras não. A primeira faculdade ocupada foi o IL, desde a quarta-feira (26). Em menos de uma semana de movimento, são 20 as instituições com universitários estabelecidos e aulas suspensas e outras em processo de tomada de decisão. Os estudantes se manifestam sobretudo contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 55, antiga PEC 241 (agora em trâmite no Senado), dentre outras medidas do presidente Michel Temer.

“Fora Temer”. No prédio da Letras, ocupado desde a última quarta-feira (26), essa frase significa que é hora do abraço, ou seja, quando é dita, todos os ocupantes devem se abraçar. A decisão foi tomada por meio de uma assembleia geral, quando foi discutida a posição dos universitários de Letras sobre a PEC 55 e se eles iriam ocupar. A maioria dos estudantes foi a favor. Além disso, cerca de 40 professores já declararam o apoio ao movimento, e, também, doaram produtos de limpeza e comida.

Para manter a segurança, eles organizaram equipes que fazem uma ronda noturna dentro do prédio, além de só permitir a entrada de pessoas que se cadastrarem. Mesmo com a ocupação, os estudantes não impediram as atividades de outros projetos que usam o prédio, como a Iniciativa Cidadã, cursinho popular oferecido pela UFRGS.

Christopher Oliveira, um dos estudantes da ocupação, explicou que das preocupações é com a saúde mental dos alunos.Para reduzir o ambiente estressante, eles criaram atividades que pudessem relaxar os ocupantes. Encontros de bandas, cine-debates, momentos para karaoke e jogos de videogame são algumas das atividades propostas. “Estamos preocupados em manter nossa saúde mental, nosso bem-estar aqui dentro”, afirma.

Para facilitar a comunicação sobre assuntos importantes, eles criaram um método que chamam de jogral: um estudante grita o comunicado e os outros repetem, até a informação chegar a todos. Os estudantes mantêm uma página no Facebook com o dia a dia do Ocupa Letras UFRGS.

Na Faced, a noite de domingo para segunda-feira (31) foi intensa. Por sete horas, os estudantes estiveram em assembleia geral para deliberar as comissões da ocupação. Até então, já estavam formadas a de infraestrutura, comunicação e geral. Segundo Ingrid Talita de Oliveira, estudante de Pedagogia e uma das organizadoras do ato, os alunos ainda estavam tentando conseguir as chaves do prédio com a direção da unidade. Ao todo, são cerca de 100 os ocupantes na Faced.

Devido à interrupção das aulas, os universitários organizam debates e aulas abertas. Os principais motivos do protesto são a proposta de reforma do ensino médio (PEC 55) e o Projeto de Lei (PL) Escola Sem Partido. “É uma ferramenta de pressão e de luta, que historicamente os estudantes e os movimentos sociais têm usado como forma de denunciar alguma injustiça. É o caso da PEC 55. Têm acontecido no país inteiro mobilizações estudantis e de todo o povo contra essa PEC, considerada um retrocesso”, explicou Matheus Weber, estudante de Direito. Na programação de terça (1°/11) houve um debate sobre Histórias e Memórias das Casas de Estudantes de Porto Alegre.

A faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS manteve as portas fechadas para a imprensa. | Foto: Carolina Vicari (2º sem.)
A faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS manteve as portas fechadas para a imprensa. | Foto: Carolina Vicari (2º sem.)

Ao contrário do Instituto de Letras e da Faced, os demais prédios ocupados permaneceram fechados à cobertura dos meios de comunicação. Na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico), o clima era esperançoso. Só na terça, os estudantes fizeram duas assembleias: uma geral pela manhã, e outra, reunindo somente mulheres, à tarde. Alguns dos professores da Fabico expressaram seu apoio aos estudantes, fazendo, inclusive, doações.  Todas as atualizações e necessidades da ocupação são publicadas na página do Facebook, “Ocupa Fabico”.

Segundo assessores de comunicação da Ocupa Fabico, os estudantes decidiram impedir a entrada da imprensa no prédio, por enquanto. A principal preocupação deles é com a possível criminalização do movimento. Em função disso, têm receio de que imagens de seus rostos sejam publicadas. Na Faculdade de Arquitetura, a mesma preocupação foi constatada. Contudo, os estudantes permitiram a entrada de repórteres na ocupação. Conforme assessores, a decisão ainda seria tomada em conjunto, em uma nova assembleia.

Procurada para se manifestar sobre o assunto, a reitoria da UFRGS, por meio de sua assessoria de imprensa, informou, na tarde de terça (1°/11) que ainda não definiu posição à respeito das ocupações.

Veja mais fotos da ocupação da Faculdade de Letras da UFRGS:

Ocupa Letras - UFRGS