Orelhões da Capital conservam usuários

  • Por: Kamylla Lemos (3º semestre) e Angelo Werner (2º semestre) | Foto: Guilherme Almeida (6º semestre) | 24/04/2015 | 0

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Desde 15 de abril são gratuitas as ligações locais feitas de orelhões da Oi para telefones fixos. A medida temporária é uma punição pelo fato da empresa não ter atingindo os patamares mínimos de disponibilidade de telefones públicos em suas áreas de atuação. A informação agradou usuários e vendedores de cartões telefônicos que reclamam das más condições dos aparelhos, o que os leva a tentar fazer ligações de vários até encontrar um que possa ser usado.

A Anatel determinava que a Oi deveria ter no mínimo 90% dos orelhões funcionando em todas as unidades da federação e 95% nas localidades atendidas somente por orelhões. Na última avaliação da Anatel, feita em 31 de março, ela considerou os patamares da Oi muito baixos.

A medida punitiva foi imposta em 15 estados: Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sergipe. Não há ainda uma data prevista para a Oi retomar a cobrança das ligações locais de Orelhões, isso vai depender de uma nova vistoria da Anatel.

Por telefone, a Oi, através da assessoria de imprensa, informou que já colocou técnicos para verificar todos os orelhões da Capital. A empresa também ressalta que os orelhões que apresentam defeitos, 90% são em virtude de atos de vandalismo. Por isso, mantém um programa permanente de manutenção e solicitações de reparos que podem ser enviadas à companhia pelo canal de atendimento 10314.

  Vendedores de cartões telefônicos concordam que más condições dos orelhões afetam o uso
Vendedores de cartões telefônicos concordam que más condições dos orelhões afetam o uso

Dos 45 milhões dos orelhões instalados no Rio Grande do Sul 15% são danificados por mês, diz o informe da Oi. Mesmo com a crença de que os celulares substituíram os orelhões, há ainda quem os use com frequência. Roger Medeiros, estagiário de Pedagogia, sempre anda com um cartão telefônico e usa os telefones públicos com regularidade. “Acho válido investir nos orelhões. Nas emergências nem todo mundo está com celular, e eles são úteis para fazer denúncias também”, ele diz. Após tentar fazer uma ligação em 5 orelhões, Roger só conseguiu no sexto. “Tinha uma lei: a cada 100 metros, um orelhão. Mas que funcione é a cada 300 metros”.

O usuário Cecílio Pestka também ressalta que os orelhões servem quando os celulares deixam a desejar. As ligações mais baratas para outras cidades são o principal motivo para o vigilante de 55 anos usar telefone público. “As empresas de celular fazem promoção para tudo, mas nem todas têm aquela que eu posso usar. Nesse caso, os orelhões se tornam mais baratos para mim”, conta.

Os vendedores de cartões telefônicos concordam que as más condições dos orelhões afetam o seu uso. “Se tivessem orelhões em condições, se vendia cartões em dobro. A maioria do pessoal chega aqui, compra o cartão, vai a quatro ou cinco orelhões e todos estragados”, comenta Jaci Espindula, que trabalha na banca Central. Andaraí Ribeiro, da Multibanca, destaca que sempre vendeu bem os cartões. “Nunca caiu a venda, mesmo com o celular. Sempre tem aquele que esquece de carregar o celular e vem perguntar se ainda existe o cartão, se o orelhão funciona,” pondera.

Instalados no Brasil em 1972, os orelhões já foram o principal meio de telecomunicação, em um tempo que telefones residenciais eram um luxo para poucos, e celulares eram um sonho distante. “Naquela época não se tinha celular, no máximo alguns tinham telefone fixo. Eu tinha um telefone fixo em casa, mas na rua a única opção era o orelhão mesmo”, lembra Carlos Galarraga, 54 anos. “E as filas eram gigantescas. Não tinha orelhão em qualquer canto, era só em certos pontos estratégicos ou mesmo nas telefônicas, então concentrava muita gente”.

Em 1992, houve a transição das fichas para os cartões telefônicos, uma novidade bem vinda para muitos. “Quando se comprava um monte delas, enchia a carteira, a gente gastava um dinheirão só em ficha!”, conta Toni Angelo Toledo, 40 anos. Ele também lembra o pior transtorno deste sistema, as fichas engolidas. “Às vezes, dependendo do equipamento, ele estragava. Então, tu colocava a fichinha, ela caía, e tu ficava ligando até vir o pessoal do reparo, e tinha que comprar mais fichas depois”, recorda.