Orquestra da PUCRS proporciona noite de surpresas e memórias televisivas

  • Por: Angelo Werner (2º semestre) e Vitória Mollerke (2º semestre) | Foto: Annie Castro (2º semestre) | Produção: Kamylla Lemos (3º semestre), Roger Paz (1º semestre), Angelo Werner (2º semestre) e Vitória Mollerke (2º semestre) | 29/05/2015 | 0

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Maestro Márcio Buzatto rege a orquestra da PUCRS durante execução de trilha sonora

Ao som da música tema de Star Trek, a Orquestra Filarmônica da PUCRS, com regência de Marcio Buzatto, iniciou às 18h30min do dia 27 de maio o concerto em que apresentou trilhas de seriados de televisão no Salão de Atos da universidade, em Porto Alegre. Apesar do frio e da forte chuva, aproximadamente 1,2 mil pessoas foram prestigiar o evento, que durou pouco mais de uma hora. No repertório da noite, 13 músicas, todas acompanhadas de imagens das séries exibidas em dois telões posicionados nos dois lados do palco. O público interagiu com a apresentação, fato marcado especialmente pelos estalares de dedos que acompanhavam a música de A Família Adams e os gritos de euforia ao som das primeiras notas do tema de Game of Thrones. O espetáculo foi encerrado com um bis da música tema de Os Simpsons, pedido da plateia que ovacionava de pé.

A realização deste concerto foi possível graças ao trabalho de adaptação dos arranjadores Davi Coelho e Neemias Santos. “É preciso conhecer os instrumentos que há à disposição, a sonoridade e os timbres. A partir disso, é preciso deixar a música o mais parecida possível com o original”, descreve Coelho, que encontrou o maior desafio em transportar os sons eletrônicos de músicas mais recentes, como os temas de Arquivo X, House e The Walking Dead para os instrumentos da orquestra.

Ouça abaixo uma reportagem em áudio sobre o concerto:

A sua maior satisfação foi trabalhar com os temas da série original de Star Trek (1966-68) e Star Trek: A Nova Geração (1987-94). “Foi bem legal ver toda essa diferença de tempo, toda essa trajetória das trilhas, as nuances e as mudanças entre elas com o decorrer do tempo. Gostei muito de criar um arranjo que englobasse tudo isso”, relata Coelho.

O violoncelista Neemias Santos foi responsável por adaptar as músicas exclusivamente acústicas. Tarefa igualmente complicada, pois algumas obras eram executadas originalmente por bandas com formações diferentes da orquestra, como o tema de Get Smart (Agente 86, no Brasil), tocada por uma banda de jazz, e o da série Fringe, composto para uma orquestra muito mais pesada, com 16 violoncelos, oito trompas e de 35 a 40 violinos. “Transportar isso para nosso contexto, em que as cordas possam participar da música junto com os metais, e conservar a essência da música é complicado”, reconhece Santos. Este trabalho trouxe uma surpresa para o violoncelista, que acabou conhecendo a série Game of Thrones, com a qual nunca tivera contato. A música tema foi aquela com a qual mais gostou de trabalhar, e agora se considera um fã do compositor, Ramin Djawadi.

Mais do que surpresas, o público se encontrou com memórias. Quem foi ao espetáculo para ouvir o tema de sua série favorita não se decepcionou e saiu emocionado do concerto. Para Carolina Fonseca, 22 anos, o melhor momento foi a execução do tema de Star Trek. “Cresci assistindo, minha mãe me apresentou quando eu tinha cinco anos, e sempre fez parte da minha vida. A série representa um futuro melhor para a humanidade”, comenta. Para Túlio Cardinal, 20 anos, sua música favorita foi a de Arquivo X, e por um bom motivo: “Eu assistia com a minha mãe quando era criança”.