Os Viajantes do Desconhecido

O canal Multishow abre caminho, há cinco anos, para uma nova forma de produção de conteúdo jornalístico. O programa Não Conta lá em Casa, produzido por André Fran, Felipe Ufo, Bruno Amaral (Pesca), Leonardo Campos (Leondre), os dois últimos deixam o programa na sexta temporada; e Michel de Souza (novo integrante), aborda temas polêmicos e instigantes pelo mundo. Quatro amigos viajam pelos mais diversos lugares não convencionais de turismo e visitação.

O jornalista, publicitário e apresentador André Fran esteve na PUCRS, dias 2 e 3 de setembro, para lançar seu livro Não conta lá em casa – Uma viagem pelos lugares mais polêmicos do mundo.

Um projeto de vida, um sonho e o trabalho que todos gostariam de ter. Assim Fran caracteriza a razão pela qual faz o programa. Foge de esteriótipos sociais, despadronizando o formato atual de jornalismo, ao passo que tenta com um simples gesto, salvar o mundo. “Se a gente pode servir de exemplo, é da maneira mais humilde possível,” completa.

Os episódios, do programa, contam histórias de vida, com seleção de lugares inusitados para se conhecer. No livro, no entanto, há diversas dicas de viagens para destinos de risco e curiosidade. Porém, o objetivo de Fran, tanto no livro como no programa, é não se referir aos lugares como pontos turísticos. Instigar o leitor a desbravar o mundo é a ideia. A mensagem difundida em cada destino transpassada é o essencial. A contribuição para um mundo diferente, voltando da viagem com fortes choques culturais é a potencialidade do Não Conta lá em Casa.

Ele contou, na entrevista, que para produção do programa já visitaram, pelo menos, 18 países, dentre eles Babilônia, Coréia do Norte, Miamar, Japão, Haiti, Israel-Palestina, Iraque. Observa-se que, os locais não são tão atrativos para passeio, mas provocam uma reflexão social importante. “Não é um programa meramente ‘uhul’ – vamos viajar”, brinca Fran.

Esse projeto mais ágil, uma programa que é um meio termo entre documentário e reportagem, tem a menção de atingir o público jovem. O que ele, orgulhosamente, diz que estão conseguindo, já que começam a sexta temporada nesse mês.

Programas de entretenimento e conhecimento apresentam uma divergência em relação ao que seria considerado jornalismo convencional. Fran acredita que, pela edição e trabalho que realizam; pelas pautas serem atuais e instigantes; por abordar temas atemporais e o caráter noticioso, o programa tem um formato jornalístico. Por outro lado, o padrão reformulado, jovial, leve, original, criativo é o que posiciona o programa em um novo caráter de divulgação. Como ele mesmo diz, “não viajamos para produzir matérias, mas para conhecer, entender, mostrar e denunciar a realidade de lugares esquecidos pela mídia, ou de impacto social”.

O interesse em contar histórias curiosas faz dele empreendedor, aquele que tem uma ideia, um sonho que procura colocar em prática. “Não se trata de conhecer lugares, mas de conhecer pessoas”, acrescenta.

De forma mais simples possível, com visto de turista e apresentando diferentes pontos de vista com uma câmera, os repórteres e programa se consolidaram e permanecem atualmente. A intenção dos quatro amigos nunca foi aparecer, tanto que, como Fran sempre diz: “Nenhum de nós é nenhum galã de tv, gostaríamos de estar por trás das câmeras”.

Na oficina que realizou com alunos da Famecos, no dia 3 de setembro, Fran explicou como construir um projeto de programa para televisão. O jornalista e publicitário enfatizou como um pequeno olhar pode fazer diferença. “Me sinto realizado! É um sonho, sou afortunado, sem isso (o programa) não estaria completo”. Concluiu sua passagem por Porto Alegre deixando a mensagem de que pretende nunca se acomodar para conhecer as grandes causas da humanidade atual. “Os maiores clichês são também as maiores verdades”, completou.

Texto: Júlia Bernardi (2º semestre)
Foto: Cassiana Martins/Famecos/PUCRS