Painel discute responsabilidades quanto ao golpe militar de 1964

A ditadura destruiu o desenvolvimento humano, econômico e social do país. É nisso que acredita Nadine Borges, membro da Comissão Nacional da Verdade (CNV) no Rio de Janeiro, que participou do painel “De Jango ao golpe”, no dia 4 de Abril, no Memorial do Rio Grande do Sul. A função de Nadine dentro da Comissão é resgatar o período da ditadura, em especial quanto à estrutura da repressão da cadeia de comando do regime militar.

Segundo a especialista, os militares tentaram destruir provas materiais, mas não conseguiram destruir a memória. “A verdade está nas pessoas. Somente a partir dos relatos é que iremos remontar os episódios daquela época”, destaca. A integrante da CNV também acredita na revisão da Lei da Anistia e no esclarecimento da responsabilidade de todos os degraus da hierarquia do regime: “O comandante Paulo Malhães, por mais sádico que fosse, não agiu sem ordens superiores; seu comandante sabia o que ele estava fazendo, o ministro do Exército sabia e o ditador sabiam, e isso funciona até hoje.”

Conforme a professora Maria Celina D’Araújo, o golpe foi motivado por interesses econômicos. A inquietação social, que não era uma novidade, também contribuiu para a deflagração do golpe, assim como o próprio papel de João Goulart durante seu governo, que muitos enxergavam como populista e submisso à pressão popular. “Ele foi taxado como um presidente fraco, que não soube tomar uma decisão”, opina Maria Celina.

Juremir Machado tem outra perspectiva: “Jango foi um homem que tentou mudar o Brasil em tempos muito difíceis e fez isso com atos de coragem, não de fraqueza.” Ele também defende a noção de que a imprensa apoiou o golpe e continua fazendo o mesmo. “Eles não se contentaram em apoiar o golpe, apoiaram a ditadura”, afirma. “A imprensa continua absolutamente conservadora e foi em grande parte responsável pelo golpe de 64 e deveria pedir desculpas, assim como as Forças Armadas, por terem traído o país em associação com o governo dos Estados Unidos”, completa Juremir.

O painel fez parte dos cinco dias de debates e eventos da Semana da Democracia. Compuseram a mesa o neto de João Goulart, Christopher Goulart; o professor da Famecos Juremir Machado da Silva; Maria Celina D’Araújo, professora da PUC-RJ e o senador Pedro Simon (PMDB).

Texto: Marina Spim (2º semestre)