Painelistas do Fórum da Liberdade defendem adoção de técnicas da iniciativa privada na educação pública

  • Por: Georgia Ubatuba (4° semestre) | Foto: Fernando Gaieski (Divulgação) | 14/04/2015 | 0

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“Paradoxo da pobreza” é como o doutor em Filosofia e Mestre em Ciências Políticas Fernando Schüler define 95% das explicações oferecidas pelo Ministério da Educação e alguns especialistas para a crise educacional. “Todos levemente apontam a educação como o melhor caminho para superar a pobreza. Mas, se um aluno é mal educado, não aprende ou tem nota ruim, é por que é pobre? Você é pobre porque não estuda, mas também não aprende porque é pobre. É um absurdo esse argumento”, pondera Schüler.

Esta foi uma das declarações mais polêmicas do painel “educação e meritocracia”, no 28° Fórum da Liberdade, na tarde da dia 13 de abril. Outro ponto abordado por Schüller foi o sucesso do ProUni. Segundo ele, o Brasil criou uma alternativa para o ensino superior, que derrubou uma doutrina implantada na cabeça dos educadores e especialistas. Essa teoria diz que os brasileiros estão condenados pela pobreza e por resultados negativos da educação. Então Schüler questionou a plateia: “Se nós tivemos tanto sucesso ao implementar essa política de financiamento privado, por que é que não fazemos a mesma coisa no ensino básico fundamental brasileiro?”

Já o CEO do Grupo Kroton, a maior instituição de ensino do mundo em valor de mercado, Rodrigo Galindo, acredita que a educação é o único poder de transformação social. “O Brasil investe pouco em educação? O problema está na quantidade de dinheiro investido?”, questionou-se durante o painel e respondeu que não. “Poderia investir mais, deve investir mais. Mas, não investe pouco, investe mal”, avalia Galindo. Segundo o CEO, o grupo Kroton tem a gestão baseada na meritocracia e criou um sistema de gerenciamento. Dessa forma, as metas são discutidas por todas as áreas ligadas a um determinado setor. “Dá muito mais trabalho, mas uma vez que as metas foram definidas, elas são metas da companhia. Elas estão alinhadas e a comunicação flui melhor”, afirma o CEO.

Os funcionários da Kroton são valorizados e reconhecidos pelos objetivos alcançados. O primeiro caminho para que se possa fazer essa valoração é treinar e qualificar os profissionais de acordo com as atividades que vão realizar; o segundo caminho seria a remuneração adequada, considerando o mérito. Conforme Galindo, esse é o motivo para o grupo se destacar entre diversos outros. O CEO da Kroton acredita que os líderes da educação pública devem se espelhar nesta forma de administração:  ”Isso dá para ser implementado diretamente para todas as instituições públicas e para todos os sistemas de ensinos públicos? É claro que não. Mas tenho certeza de que o princípio da meritocracia pode ajudar os sistemas públicos de educação”, conclui Galindo.

Em contraponto, o português Milton Sousa, diretor das Conferências do Estoril, destacou o aspecto humanista da meritocracia. Sousa defende a educação livre com base no indivíduo entendido como um ser pleno. Além disso, disse que não são as provas as quais definem quem é o melhor: são os méritos da vitória, do aprendizado e da convivência para criar uma sociedade com pessoas mais educadas. “Que se promova uma educação livre, livre do mérito passado”, finaliza o português.