Palestrantes insistem na diminuição do Estado na primeira noite do 25º Fórum da Liberdade

Na noite desta segunda-feira, 16 de abril, foi realizada a abertura e primeiro painel do 25º Fórum da Liberdade. Realizado no Prédio 41 da PUCRS, o evento manteve sua tradição de debate de ideais neoliberais, crítica ao Estado “inchado” e defesa da iniciativa privada na administração pública.

Dando início ao evento, Ricardo Gomes, presidente do IEE, apontou um país melhor: “O Brasil de hoje é melhor que o Brasil de 25 anos atrás.” Em meio a sucessivos elogios às privatizações, criticou a “burocracia aterradora” e a “regulamentação excessiva” da economia brasileira. Gomes lamentou a ausência do Governador Tarso Genro no evento. Na sequência, defendeu a meritocracia no ensino público e alegou que “o Sindicato dos Professores tem poder abusivo.”

Instantes depois, Carlos Souto, advogado e especialista em Filosofia e Economia Política, foi agraciado com o Prêmio Libertas. Segundo a IEE, que concede o prêmio, ele é oferecido à “personalidade que tenha se destacado na defesa da Liberdade, da economia de mercado e do Estado de Direito”. Em seu discurso, Souto pregou uma suposta pluralidade do Fórum, dando espaço e voz a diferentes correntes ideológicas. Além disso, traçou um paralelo entre a “eficácia e eficiência” de Steve Jobs em um Mundo da livre iniciativa, e o “atraso e obsolescência” de Hugo Chávez e modelos de Estado atuantes.

O Prêmio Liberdade de Imprensa, “entregue ao jornalista que, no desempenho de sua atividade profissional, foi exemplo na defesa da liberdade de imprensa” foi concedido a Nelson Sirotsky, Presidente do Grupo RBS. Sirotsky definiu liberdade de imprensa e liberdade de expressão como irmãs-gêmeas e filhas da democracia. Para ele, “já temos leis suficientes” em relação à comunicação, e as tentativas de criação de Conselhos de Comunicação, a exemplo de outras democracias ocidentais, são mecanismos de restrição da liberdade de imprensa.

Entregues os prêmios, Vicente Getúlio Reale, vice-presidente do IEE, realizou a leitura da 2ª Carta de Porto Alegre, documento que continha os princípios que o Instituto de Estudos Empresariais julgava adequados para “conduzir o país, nos próximos 25 anos, à liberdade e à prosperidade.” Na Carta, eram pregadas a redução do Estado brasileiro, redução e simplificação da carga tributária, fomento da iniciativa privada como alternativa eficiente para a solução do déficit educacional brasileiro e limitação do governo em todos os seus níveis.

Após a leitura, teve início o 1º Painel do evento 2037: que Brasil será o seu?. A primeira fala foi de Roger Agnelli, dirigente de entidades como Banco Bradesco, Bradespar e Vale do Rio Doce. “A inovação e a criatividade estão em nosso DNA”, “Brasil pode ganhar qualquer jogo. Até mesmo empresarial”, foi em tom otimista, ressaltando as qualidades do brasileiro, que ele iniciou seu discurso. A educação foi valorizada por Agnelli, citando o exemplo da Coreia do Sul, revolucionada pela ensino. Utópico, disse sonhar com um país onde todo jovem, com menos de 35 anos, fosse formado em alguma área até 2037. Encerrando, disse que o mundo precisa da África hoje, uma África que é uma grande consumidora em potencial e terreno fértil para os grandes grupos econômicos transnacionais.

André Gerdau Johannpeter, diretor-presidente da Gerdau, era o próximo painelista. Gerdau defendeu um planejamento próprio da iniciativa privada na esfera pública: “Na iniciativa privada, somos forçados a planejar. No serviço público, isso é muito difícil.” Também disse que, em 2037, espera uUm país onde educação seja prioridade e não sejamos campeões em taxas de juros e carga tributária. Mais um a engrossar o coro por “menos burocracia”, ele enxerga uma sociedade indignada com “tudo aquilo que a gente vê de errado” e com a corrupção.

Gerdau cedeu o lugar na tribuna à Guilherme Paulus, sócio-fundador da CVC, que, com muita descontração, começou logo saudando os estudantes como “futuro real do nosso país”. Com apresentação digna de modelos de Power point, Paulus destacou fatores positivos do Brasil como a “arte de bem-receber de seu povo” e grande potencial turístico. Como não poderia deixar de ser, defendeu a realização de grandes eventos esportivos como uma oportunidade de incrementar a economia brasileira, gerando enormes receitas para todos, em especial para setor hoteleiro e de viagens. Por fim, caracterizou como positivas todas as privatizações ocorridas nos estádios da Copa de 2014, “Deus queira que isso daqui seja privatizado. A gente quer privatizar pra melhorar”.

Para encerrar a noite, Vicente Falconi, professor emérito da UFMG e conselheiro de grandes grupos empresariais, aprofundou o debate sobre educação. “Grande prioridade nacional deveria ser o ensino fundamental”, afirmou. Rezando a cartilha do evento, defendeu a adoção de metas claras na educação, inclusive no ensino fundamental: “A meta dá a direção do aprendizado”. O aprendizado ,segundo Falconi, não se opera somente com indivíduos: “As empresas também aprendem, o país também aprende.”

Finalizada a programação da primeira noite, não houve espaço para perguntas.

Texto: Caio Venâncio