Parcelamento de salários do funcionalismo gaúcho afeta movimento de restaurantes

Nos restaurantes próximos ao Centro Administrativo em Porto Alegre, que concentra diversos escritórios de secretarias e autarquias, os proprietários relatam ter percebido queda no número de clientes, principalmente no horário do almoço.

  • Por: Leonardo Rodrigues Sá (4º semestre) | Foto: Juliana Baratojo (4º semestre) | 02/09/2015 | 0

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Proprietário do restaurante Prato do Dia, Zelmar Kologesky demitiu dois funcionários devido à  queda no número de clientes

Os efeitos do parcelamento dos salários dos servidores públicos instaurado pelo governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, se espalham por vários setores. Nos restaurantes próximos ao Centro Administrativo em Porto Alegre, que concentra diversos escritórios de secretarias e autarquias, os proprietários relatam ter percebido queda no número de clientes, principalmente no horário do almoço.

Zelmar Kologesky, proprietário do restaurante Prato do Dia, afirma ter demitido dois funcionários, pois o número de almoços servidos caiu pela metade: “Antes, servíamos 200 almoços por dia. Agora, servimos entre 100 e 110. Hoje, foram servidos 103 pratos.” Em virtude do fraco movimento, o estabelecimento começou a fechar mais cedo. Geralmente, o restaurante funciona das 11h às 15h. “Agora, fechamos por volta das 14h”, lamenta Kologesky.

No restaurante Onze e Meia, onde o almoço custa menos, a procura caiu 70% neste terceiro dia de paralisação dos servidores estaduais. “A gente percebe, porque geralmente é uma correria para repor os pratos, mas hoje não foi assim”, conta a proprietária, Altina dos Santos. Entretanto, na segunda-feira o restaurante viu um aumento do número de clientes, em virtude da manifestação dos professores, pois muitos deles almoçaram lá. Segundo Altina, alguns deles preferiram pagar o almoço, de cerca de R$ 30, no cartão de crédito, no aguardo das próximas parcelas do salário.

No restaurante Boka Loka, o número de clientes no horário do almoço diminuiu pela metade, mas não houve maiores prejuízos, porque o movimento no local é maior à noite. No Ponto Grill, houve diminuição perceptível, mas pequena. O proprietário, Odacir Bortoncelo, afirma que “isso é normal quando ocorre esse tipo de crise”. No estabelecimento Fontana, a diferença no movimento é pouca, porque o local já não via muita procura antes do parcelamento dos salários. O Grãos & Cia foi aberto há dois meses e identificou até mesmo um aumento do movimento em comparação ao mês passado, segundo a proprietária, Marisete Mognon.

Zelmar Kologesky, proprietário do restaurante Prato do Dia, desde que seu número de clientes diminuiu.