Participantes da Feira do Livro Feminista denunciam agressão da Brigada Militar

Ato de solidariedade às mulheres agredidas reuniu cerca de 300 pessoas na Praça da Alfândega, onde ocorre a 61º Feira do Livro de Porto Alegre.

  • Por: Luiza Meira (4º sem) | Foto: Luiza Meira (4º sem) | 03/11/2015 | 0

13 abril

 

A 1ª Feira do Livro Feminista e Autônoma de Porto Alegre (Flifea), iniciativa independente e autogestionada por mulheres foi marcada por denúncias de agressão policial. Na noite de domingo (01), um ensaio artístico programado para encerrar a feira terminou com a presença da Brigada Militar que é acusada de ter agido com violência contra as mulheres.

Segundo uma das organizadoras, que não quis se identificar, dois policiais chegaram à Praça João Paulo I, por volta das 23h, para averiguar denuncias de barulho feitas por moradores. “Eles filmaram e intimidaram as mulheres presentes que estavam falando com eles, o que gerou reações de proteção entre as mulheres, como se organizar para ir embora e filmar a situação”, relatam as organizadoras da Feira. Chamando reforços, mais duas viaturas chegaram ao local e ainda de acordo com as organizadoras, “chegaram outras viaturas com mais policiais que foram extremamente agressivos e marcadamente racistas desde o início e tentaram deter uma de nós de maneira violenta, o que desencadeou uma série de agressões físicas por parte da polícia das quais nove mulheres ficaram feridas, sendo que quatro gravemente e precisaram de atendimento médico”. Ainda segundo as organizadoras, duas das mulheres estavam grávidas, “o que não foi relevante para os policiais”. Elas ainda relatam que os policiais foram truculentos principalmente com as mulheres que tentavam filmar, e dois celulares foram apreendidos.

A Brigada Militar se manifestou alegando que houve a necessidade de fazer uso moderado da força para conter as pessoas, e que foram localizados dois celulares no chão. Não há registro de lesões nem por parte dos manifestantes, nem dos policiais. O comandante da BM informou que recebeu a nota escrita pelas mulheres e que solicitou a apuração interna das denúncias. A Flifea, que surgiu em discussões na Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre, se realizava na Praça João Paulo I, entre as ruas Jerônimo de Ornelas e Santa Terezinha continuou na segunda-feira (02), quando houve um ato de solidariedade e repúdio, com cerca de 300 mulheres marchando do local da agressão até o Centro, na Praça da Alfândega, onde ocorre a 61º Feira do Livro de Porto Alegre.

Em diversos momentos, as manifestantes paravam para ler a nota de repúdio das organizadoras. “É assim que a gente revida, não nos calando e resistindo juntas”, gritavam a todo pulmão, comovendo o público da Feira do Livro que entoava junto das participantes da marcha as frases do manifesto.