Pesquisa aponta microplásticos em garrafas de água

No Brasil, água da empresa Minalba apresentou o excesso de material

  • Por: Camila Pires (3º Semestre) | Foto: Nádia Probst (2º Semestre) | 27/03/2018 | 0
Professor Doutor Claudio Luis Crescente Frankenberg, coordenadir do Laboratório de Processos Ambientais - LAPA Foto: Nádi Probst - 22.03.2018
Professor Doutor Claudio Luis Crescente Frankenberg, coordenador do Laboratório de Processos Ambientais – LAPA

Pesquisa realizada pela organização jornalística sem fins lucrativos Orb Media identificou microplásticos em garrafas de água envasada em nove diferentes países. Duas marcas, quando questionadas, confirmaram a presença de microplásticos em seus produtos, contudo afirmaram que os resultados foram exagerados. O Brasil está presente na pesquisa por meio da marca Minalba, onde foram encontrados os plásticos polipropileno, náilon e tereftalato de polietileno (PET). Por ser uma descoberta recente, ainda não se sabe os eventuais riscos que esses microplásticos podem trazer ao ser humano. O coordenador do Laboratório de Processos Ambientais (LAPA) da PUCRS, professor Claudio Luis Crescente Frankenberg, sustenta que seria necessária uma avaliação durante o tratamento de água para ver se ela retém os microplásticos.

“Todo material polimérico que é colocado em arroios, rios, solos, liberam ‘fribas’ que se ‘esfarelam’ ao longo do processo de degradação. Essas não eram detectáveis pois não havia preocupação de que isso poderia estar acontecendo”, explica o professor. O coordenador também comenta que o motivo da pesquisa ter provocado preocupação é por causa da grande quantidade de material encontrado. Animais de pequeno e grande porte também estão ingerindo a substância em diferentes mananciais, contudo, assim como no caso dos humanos, ainda não se sabe como ela se comporta no metabolismo.

A água engarrafada vai adquirindo os microplásticos por variações da temperatura, pela umidade e pelo processo de degradação do material. O professor afirma que enquanto a garrafa for mantida em condições adequadas e armazenada de forma correta ela pode ser utilizada diversas vezes, caso o contrário ela tende a começar com os processos de degradação.

A startup inglesa Skipping Rocks Lab criou uma forma alternativa para evitar o uso da garrafa plástica para armazenar a água. A “Ooho” é uma bolha preenchida com água feita pelo extrato de algas marinhas. Dessa forma, o líquido não entra em contato com o plástico da garrafa, além de ser uma opção para diminuir a poluição causada pelo excesso de garrafinhas. “A geração de outro material irá surgir eventualmente. Hoje existem diversas alternativas para o PET, como a produção de vassouras e fibras para tecidos, que podem impedir que ele vire resíduo e crie estes microplásticos,” observa Claudio.