Plantonistas se revezam para votar

  • Por: | 27/10/2014 | 01

A médica Mônica Scott recebeu a equipe do Editorial J enquanto almoçava, às 15 h, em uma pequena sala com um micro-ondas. Na rotina da UTI pediátrica do Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul não sobra muito tempo para distrações. Neste domingo de eleições não foi diferente. A diretoria do Instituto não passou nenhuma recomendação aos plantonistas, e aqueles que quiseram votar, montaram a própria “escala de voto”.

Mônica é intensivista pediátrica da unidade pós-operatória e seu plantão no domingo é das 8h às 20h. Durante todo o horário em que as urnas estavam abertas. Para conseguir votar, no bairro Auxiliadora, chegou atrasada ao Instituto. “Liguei para a plantonista do turno anterior, e combinamos que eu votaria antes de entrar”, contou. Como um plantonista só pode deixar o hospital quando o outro chegar, a colega esperou.

Andressa Freitas é enfermeira e também votou perto de casa, antes do seu plantão. Ela conta que a equipe ficou bastante desfalcada nos dois turnos de eleição porque muitos funcionários foram convocados como mesários. Eles têm direito a dois dias de folga para cada dia em que trabalhar e participar dos treinamentos ministrados pela Justiça Eleitoral. Segundo Andressa, com tantos profissionais em recesso a rotina ficou prejudicada. “Quando soube que teria segundo turno, queria me jogar no chão. A gente tem que se virar sozinho”, revela.

A UTI tem estrutura para receber até 14 crianças. No domingo (26) 13 leitos estavam ocupados, sendo que um deles deve permanecer vago para situações de emergência. Ao todo em torno de sete enfermeiros, sete técnicos de enfermagem, dois médicos, uma residente e uma secretária trabalhavam de plantão. No aparelho de televisão que geralmente passa desenho animado para as crianças internadas, eles acompanham a apuração, se for possível, é claro. “Acho que só vou descobrir quem ganhou quando sair daqui”, disse Mônica.

Texto: Bruna Zanatta (4º semestre)
 Foto: Pedro Scott (3º semestre)