POA GEEK WEEK: A diversidade do universo geek por trás dos stands do evento

A conferência nerd aconteceu entre os dias 2 e 5 de maio, no Centro de Eventos da PUCRS

  • Por: Maria Eduarda Rocha (3° semestre) | Foto: Taimá Walther (6° semestre) | 07/05/2019 | 0

A Primeira edição do POA Geek Week foi marcada pela presença de um público diversificado. Leitores de quadrinhos, gamers, amantes de tecnologia e fãs de franquias como Harry Potter e Star Wars são alguns dos grupos que dividiram o espaço. A expectativa dos organizadores do evento era receber visitantes de 10 a 54 anos, especialmente jovens universitários, nos quatro dias de feira. Se engana quem pensa que o evento atraiu interessados parecidos entre si.

Poder ver de pertinho grandes torneios de videogames – o festival contou com campeonatos dos jogos League of Legendes, Fifa, PES2019 e CS:GO, que aconteceram na PGW eSports Arena –  foi uma nova experiência para Bruno, de 15 anos, amante de jogos digitais. Entre seus games favoritos estão: Overwatch, Rainbow 6 e Fortnite. Desde pequeno, o jovem tem curiosidade de saber mais sobre o mundo da tecnologia, participou ainda como expositor do stand de robótica, o qual integra desde 2017. Fascinado pela construção de robôs, Bruno pretende seguir profissão na área da ciência.

Participando do POA Geek Week como expositor do stand Marista de robótica, Bruno se dividiu entre apresentar seu projeto e usufruir da esfera gamer do evento.

Já outras atividades eram voltadas aos fãs de card games e board games. Crediné Silva, 40 anos, é gerente do salão de jogos da Nerdz, loja que proporcionou o campeonato de Magic: The Gathering na sexta-feira à tarde. Ele conta que a maior parte dos apreciadores de card games vê os jogos como um entretenimento: “É como um hobby. Algumas pessoas querem jogar competitivamente, mas a maioria deseja apenas se divertir, conhecer pessoas e trocar cartas”. Apesar de atrair todas as faixas etárias, a maioria dos jogadores de card games são homens. No entanto, Crediné ressalta que dificilmente acontecem problemas de discriminação de gênero no ambiente de jogo. Já o público que curte board games (jogos de tabuleiro, mas com temas diversos e mecânicas mais complexas) prefere jogar em casa e acaba não frequentando tanto os espaços abertos voltados para disputas.

Um dos destaques dos eventos de cultura nerd são os cosplayers, visitantes que representam seus personagens favoritos com vestimentas e acessórios, que no PGW ocuparam a CosplayZone. Os organizadores dos estantes dos fã-clubes de franquias de filmes e livros, além de promover atividades para o público, foram os que mais “entraram no personagem”.  Na sala temática de Harry Potter, os integrantes do fã-clube Herdeiros de Sonserina fizeram cosplayers das principais figuras da saga. Katherine Krauser, 27 anos, se caracterizou como Rony, melhor amigo do protagonista. A jovem já havia interpretado o personagem em um musical, experiência que qualificou seu trabalho como atriz. Inspirada pela magia das histórias de J.K. Rowling, Katherine também se tornou escritora e pretende escrever um livro sobre como foi interpretar Rony nos palcos do teatro.

No stand de Star Wars, o fã-clube Conselho Jedi RS fez a alegria dos fãs trazendo cosplayers de personagens como Princesa Leia, Chewbacca, Stormtrooper e Darth Vader. Cristion Pacheco, 28 anos, é fã de Star Wars há 20 anos e faz parte da equipe do fã-clube. Ele também é cosplayer e passou a produzir as próprias vestimentas há 3 anos por conta do alto valor das fantasias. Hoje, é recepcionista mas divide seu tempo com a função de confeccionista na Oficina do Trooper, negócio que montou para atender as encomendas de roupas de cosplay.

Os cosplayers de Princesa Leia e Chewbacca, personagens de Star Wars, fizeram sucesso na feira e passaram o dia tirando fotos com os visitantes.

Thais Santos, 25 anos, e Tatiane Castro, 37, também transformaram suas paixões geek em fontes de renda. As amigas e expositoras comerciais da feira saíram de seus empregos para se dedicar à produção de artefatos do mundo nerd. As duas começaram confeccionando produtos como chaveiros e almofadas artesanalmente apenas para consumo próprio. Com o tempo, começaram a surgir encomendas de amigos e conhecidos, hoje, elas possuem as próprias lojas virtuais e fazem parceria de vendas: “Eu e a Tati nos conhecemos em eventos, desde então passamos a contribuir com o trabalho uma da outra. Estamos sempre juntas em feiras, seja dividindo o espaço ou ficando lado a lado”. As famílias das empresárias também contribuem nos negócios. O filho de Tatiane, Márcio Alexandre, acompanha a mãe nas feiras e se divide entre ajudar nas vendas e aproveitar o ambiente gamer.

As empresárias Thais e Tatiane dividiram o mesmo stand no POA Geek Week 2019.

O e-Commerce de Tatiane é mais voltado para filmes e séries e funciona desde 2011. Já o de Thais, aberto há 3 anos, é focado no comércio de produtos relacionados a animes, games e quadrinhos. Essas e outras temáticas fizeram parte do círculo de palestras da Geek Week. Os bate-papos foram feitos na PGW Talks, e contaram com assuntos como Diversidade no mundo dos quadrinhos e Desenvolvimento da indústria criativa de games no Rio Grande do Sul.

 

Feiras de cultura nerd são uma tendência no Brasil. Segundo Ricardo Ritcher, organizador da evento, conferências voltados para o público geek têm feito mais sucesso do que feiras de Engenharia Civil. Essa foi uma das motivações para que Ritcher iniciasse o projeto do POA Geek Week em 2017: “O mercado de games é um dos que mais cresce no Brasil. A nossa intenção é fomentar essa indústria criativa no Rio Grande do Sul”.

No entanto, ser nerd nem sempre foi motivo de orgulho para Cristian Reis, 23 anos, estudante de engenharia química.  Quando estava na 6ª série do Ensino Fundamental, ele sofria bullying por se interessar por ciência. Na época, o jovem matava as aulas de educação física para ler livros sobre a origem do universo na biblioteca da escola. Disposto a melhorar a relação das crianças com o conhecimento científico, Cristian fundou o Projeto Ciência e Astronomia, que leva palestras, oficinas e artefatos da ciência para a sala de aula. A iniciativa atende escolas públicas e privadas e não tem fins lucrativos. Alguns dos instrumentos utilizados nos projetos foram expostos em um stand do POA Geek Week. E, reforçando a diversidade de interesses do público, a  equipe do projeto foi vestida de cosplay de Mortal Kombat.