Policiais sem identificação detêm alunos de Jornalismo da Famecos

Nos protestos de segunda-feira, dia 17 de junho, se viu mais do que depredação ao patrimônio público e privado. Vários foram os relatos de excessos por parte da Brigada Militar (BM). As redes sociais estão sendo um dos principais meios de denunciar a ação desmedida da brigada.

Gabriel Arévalo, estudante da Famecos/PUCRS, relata em seu perfil no Facebook uma possível detenção ilegal e violência por parte da polícia militar na noite de segunda-feira. O estudante e um amigo jantavam num restaurante da Avenida João Pessoa. Ao sair, viram um grupo de brigadianos agredindo um rapaz, que, segundo ele, aparentava ser menor de idade. Ambos começaram a filmar a ação da Brigada, que julgaram desproporcional. Eles foram abordados e levados ao posto da Brigada Militar da Praça XV, onde passaram a noite.

No local, os jovens e outras pessoas que lá estavam foram surrados e tiveram spray de pimenta borrifado em seus rostos. Sobre a ação dos policiais militares sem identificação, Gabriel disse em entrevista: “Quando eu perguntei por que eles estavam sem identificação, eles disseram que a ordem era que todos não se identificassem.” Gabriel foi obrigado a ficar nu e o cartão de memória foi retirado de seu telefone, onde estavam as filmagens da ação dos quatro policiais. O registro que restou foi o vídeo feito por seu amigo, que pode ser assistido abaixo.

Júlia Manzano, também aluna da Famecos/PUCRS que estava na manifestação de ontem, filmou a ação da polícia militar no Largo Zumbi dos Palmares e acabou detida. De lá, ela foi levada para a 3ª Delegacia de Polícia Civil e teve sua câmera apreendida como evidência. A estudante de Jornalismo está sendo acusada de ter depredado o patrimônio público na região da avenida João Pessoa, onde ela afirma não ter estado naquela noite. Para Júlia, as redes sociais são a melhor forma de denunciar os casos de agentes da BM não identificados: “A denúncia pelo Facebook é a forma mais eficiente.”

Na terça-feira, dia 18 de junho, a Secretaria de Segurança Pública do Estado promoveu uma entrevista coletiva para tratar dos acontecimentos da noite de segunda-feira. Quando questionado sobre a ação de brigadianos sem identificação, o secretário Airton Michels respondeu que o povo deve denunciar os excessos que ocorreram. Conforme o coronel da BM Fábio Duarte Fernandes, “não é permitida atuação sem identificação”.

Comentando as denúncias de brigadianos sem o nome exposto na farda, o coronel Fernandes se alinhou ao secretário: “Isso também é um controle da sociedade sobre a ação da polícia, que nós apoiamos.” O oficial da BM explicou ainda que a instituição vem monitorando as redes sociais, para identificar agentes que cometeram abusos — e também manifestantes que tenham participado de depredações.

Texto: Marcelo Frey (2º semestre)
Foto: Laísa Mendes (2º semestre)