Ponto eletrônico altera rotina na Câmara de Vereadores de Porto Alegre

O novo equipamento substitui o antigo livro que era assinado pelos servidores do local.

  • Por: Nicole Feijó (3º sem) | Foto: Wellinton Almeia (1º sem) | 04/11/2015 | 0

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No primeiro dia de funcionamento do ponto eletrônico, a Câmara de Vereadores de Porto Alegre registrou um movimento diferente dos outros dias. O restaurante do prédio sentiu o impacto da nova exigência, vendendo 100 almoços a mais na terça-feira, 3 de novembro, do que o normal, relatou a gerente Karen Fortes, 24 anos.

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Jorge Luis Loss, presidente do Sindicato de Servidores da Câmara Municipal.

O diretor-geral da Câmara, Luis Berres, destaca que os servidores souberam com antecedência que o livro ponto seria substituído pelo eletrônico. “Em fevereiro nós intensificamos a organização e, desde julho, os servidores sabem que teria o ponto eletrônico. Faz um mês que eles sabem a data”. Junto a isso, o número de aposentadorias aumentou consideravelmente. “Nós temos uma media de quatro. Ano passado, por uma peculiaridade, foram sete aposentadorias. Mas esse ano já são  20”, conta o diretor.

A Câmara Municipal de Porto Alegre implantou o ponto eletrônico para controlar a entrada e saída dos funcionários. A medida que substituiu o livro ponto é válida para todos os 730 servidores, entre eles concursados, cedidos, cargos em comissão e estagiários. Berres argumenta que a prefeitura já introduziu o novo sistema de monitoramento em todos os outros órgãos municipais. Segundo ele, a Câmara foi a última a receber o ponto eletrônico. “Havia também um apontamento do Tribunal de Contas para um controle mais efetivo e uma transparência maior”. Berres acredita que o sistema possibilita controle maior sobre os funcionários. “Ele vai demonstrar claramente os servidores que estão na casa e os horários específicos. Assim pode haver uma justificativa e abono do ponto se o servidor teve um trabalho externo ou curso”, explica.

O diretor-geral justifica o controle das entradas e saídas tanto quanto qualquer outra cobrança. “É injustificável a um órgão público que os de controle nos cobrem transparência em obras, licitações, e a gente não tenha transparência sobre o maior contrato, de R$ 100 milhões, que é o do RH (recursos humanos)”, constata.

Jorge Luis Loss, presidente do Sindicato de Servidores da Câmara Municipal de Porto Alegre (Sindicâmara), considera positiva a implantação do ponto, mas não concorda com a forma como foi feita. “Para nós foi degradante, uma coisa bruta, autoritária. Eles não aceitaram o sindicato para conversar e fazer um acordo sobre a jornada de trabalho, os intervalos para lanche e almoço”. Loss disse que o primeiro dia com o ponto eletrônico foi constrangedor. “Ele (o presidente Mauro Pinheiro) dizer que o funcionários não queriam bater o ponto é uma grande mentira. Todo mundo se cadastrou e bateu”, contestou o presidente do Sindicâmara. “É a forma estúpida dele de tratar esse negocio, chamar o servidor de vagabundo, de gangue do ponto, da hora extra”, acrescenta.

“Eu não acho nada, o meu horário eu cumpro”, disse Marlene Porto, funcionária do município há 29 anos, ao ser questionada sobre o que pensa a respeito da mudança. “Passei dez anos chegando às 6 horas e  nunca me pagaram nada. Eles têm que cravar os fantasmas que colocam aqui”, sugeriu.

Há pouco mais de um ano como assessor parlamentar de bancada, Thiago Krebs, 31 anos, acho que o ponto eletrônico é um instrumento bom. “Uma maioria que trabalha paga por uma minoria que não cumpre suas funções”, analisa Caio Venâncio, 22 anos, estagiário do local.

O custo do ponto eletrônico foi de R$ 21 mil, disse o diretor-geral. Essa informação é questionada pelos servidores. De acordo com Jorge Loss, do Sindicâmara, o gasto com a Procempa, responsável pela implantação do ponto, foi de mais de R$ 300 mil. “