População ainda prefere filme dublado

Apesar do aumento da frequência aos cursos de idiomas como inglês, espanhol e francês, o mercado de dublagem no Brasil ainda cresce. Isso porque a maior parte da população do país lê e escreve, porém não sabe interpretar a informação recebida.

O diretor da Universidade de Dublagem de São Paulo, Ulisses Bezerra, menciona que o mercado tende a crescer com os filmes dublados tanto para a TV a cabo quanto para o cinema. Antes os conteúdos eram traduzidos somente para a televisão aberta. Com a adesão da classe média aos canais pagos de televisão aumentou mais a demanda e também os serviços de dublagem. As operadoras de TV oferecem um serviço a mais que o cliente escolhe através do controle remoto do aparelho se deseja assistir o filme com áudio original ou dublado.

Bezerra salienta que o público que utiliza esse tipo de serviço são crianças e idosos, pois a capacidade de absorver conteúdo é demorada. A dublagem também facilita as pessoas que fazem outras atividades, enquanto escuta o áudio do filme ou documentário. Quando a dublagem não é bem feita, o consumidor deve reclamar com a distribuidora do conteúdo ou às prestadoras de serviço de TV a cabo, esclarece o diretor da Universidade de Dublagem que acrescenta: “A função de traduzir o para o português é democratizar a informação”.

O proprietário da empresa Mashamallow, Sergio Pallomino, concorda e ainda reforça que o serviço está incorporado à cultura brasileira mesmo com a ascensão das classes econômicas e que as legendas é uma opção não muito viável porque fica pouco tempo na tela. Menciona também que a parcela da população que assiste ao filme no áudio original é porque possui um bom conhecimento do idioma do conteúdo.

Bezerra e Pallomino explicam que para ser dublador é preciso ter curso de ator, porque a prática exige muita interpretação, e ainda aprender leituras labiais. Quanto melhor leitura, interpretação e sincronismo do personagem, maior será o espaço no mercado. Eles consideram que é um mito dizer que a população não gosta de filmes, documentários, seriados dublados e, sim, legendados.

Texto: Anselmo Loureiro (3º semestre)