População ainda tem muitas dúvidas sobre coleta seletiva de lixo

O catador Alex Cardoso fez essa afirmação no I Seminário de Coleta Seletiva realizado nos dias 11 e 12 de abril

  • Por: Daniela Nunes (2º semestre) | Foto: Thais Macedo (2º semestre) | 12/04/2018 | 0

“Há 28 anos, a cidade de Porto Alegre tem coleta seletiva de lixo e ainda assim a maior parte das pessoas não sabe como separar os resíduo, têm dúvidas”. A declaração do representante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), Alex Cardoso foi feita no I Seminário de Coleta Seletiva, organizado pela Apoena Socioambiental, Fórum de Unidade de Triagem de Porto Alegre, MNCR e o Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) nos dias 11 e 12 de abril.

Público esteve presente no I Seminário da Coleta Seletiva Solidária.

Cardoso disse que o trabalho dos catadores é uma questão de vida “hoje nós sobrevivemos com R$ 700, enquanto muito dinheiro está sendo investido nas empresas privadas”. Ele ressalta que a maior dificuldade dos catadores é a invisibilidade e a forma como são tratados “a maior parte dos catadores é sozinho e excluído, somos perseguidos e marginalizados pela sociedade, mas sem catador não tem reciclagem”

O I Seminário de Coleta Seletiva Solidária: uma tecnologia social aconteceu nos dias 11 e 12 de abril no Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS). O evento tratou dos problemas na gestão de resíduos sólidos na cidade. Na quarta-feira (11) o seminário teve como tema de debate “a importância dos catadores na gestão dos resíduos sólidos urbanos”. Estiveram presentes o coordenador do Fórum de Unidade de Triagem de Porto Alegre, Antonio Matos, o representante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), Alex Cardoso e representando o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) Marisa Reis. O evento foi organizado pela Apoena Socioambiental, Fórum de Unidade de Triagem de Porto Alegre, MNCR e o IFRS.

Durante o debate, o representante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis explicou como seria a gestão dos resíduos caso assumissem “iríamos ao encontro das questões ambientais, pegar resíduos que mais fazem mal a natureza e encaminhar para a reciclagem. Iríamos orientar a população sobre quais resíduos podem ser encaminhados à reciclagem. O coordenador do Fórum da Unidade de Triagem, Antonio Matos, afirmou que “ao invés da prefeitura fazer um edital e ver que empresa deve fazer a coleta do lixo seco, a unidade de triagem faz a coleta”. Ele diz ser melhor para a prefeitura, pois, reduziria os gastos. A Unidade de Triagem é o local onde são separados os resíduos sólidos. “Às vezes, os garis pegam muitas coisas misturadas, esse material nós damos para a prefeitura que leva para Minas de Leão, isso é um gasto enorme. Se fossemos nós, não pegaríamos esse material o qual chamamos de rejeito”

Núbia Vargas, representante do Fórum de Catadores, ressalta que os catadores buscam o reconhecimento da prefeitura. “Queremos que o nosso trabalho seja valorizado, hoje não é, ele é totalmente de graça para a sociedade”. Ela diz que a maior dificuldade é reeducação ambiental, “as pessoas jogam os resíduos em qualquer lugar, não cuidam. Ajudamos o sistema e não recebemos nenhum auxílio”. Na avaliação dela, a prefeitura diminuiria o gasto se fizéssemos a coleta. Existe 21 unidade de triagem 16 são conveniadas, tem entre 800 e 900 catadores, não se pode aumentar o quadro porque a gente não tem resíduo para trabalhar, então assumir a coleta solidária seria garantir formas de trabalhar melhor.

A gestora ambiental Joice Maciel explicou que Apoena Socioambiental é “um negócio coletivo” formado por quatro técnicas e especialistas. A equipe trata de assuntos relacionados à área ambiental. A ideia do seminário surgiu com uma provocação do Fórum de Unidade de Triagem de Porto Alegre e do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis. A profissional acredita que hoje os jovens preocupam-se mais com essas questões “eles estão mais preocupados foi por isso que pedimos a ajuda do Instituto Federal”.