Praça da Matriz enfrenta seus demônios

Soldados nas ruas, comerciantes fechando portas das lojas mais cedo, vários carros da Brigada Militar e barreiras policias. Esse era o cenário da Praça da Matriz horas antes da manifestação prevista para começar nesta quinta-feira, 27 de junho, às 18 horas em frente ao Palácio Piratini.

As barreiras colocadas em frente aos principais pontos do entorno da praça chamavam a atenção e provocavam reações indignadas de algumas pessoas. Uma moradora das cercanias do Palácio Piratini reclamou do governador Tarso Genro a afirmação de que a praça seria do povo, mas antes do povo chegar colocou barreiras e policias impedindo a livre locomoção das pessoas. A estratégia da policia é, primeiramente resguardar a vida, e depois a propriedade pública, repetiu um integrante do comando da Brigada Militar que não quis se identificar enquanto supervisionava o trabalho dos seus comandados. Segundo ele, a expectativa para o protesto era de reunir em torno de dez mil pessoas.

Questionado a respeito de possíveis depredações, o soldado revelou que a Brigada não esperava confusões no protesto do dia, pois o público que geralmente pratica atos de vandalismo normalmente não frequenta aquele local. Ele esclareceu que deixaria uma parte da rua Duque de Caxias, em frente a Catedral Metropolitana, livre para o acesso dos brigadianos, dos manifestantes e das ambulâncias caso ocorresse algum incidente mais grave.

A tensão provocada pelos preparativos também fez os estabelecimentos próximos da praça fechar as portas bem antes do horário habitual, caso da Isasul Livraria, localizada atrás do Theatro São Pedro. Além de fechar duas horas antes, às 16 h, por causa dos protestos houve uma redução de 80% no movimento da tarde comparado aos dias normais. Enquanto isso, os órgãos públicos do estado encerraram o expediente às 17 horas.

Entretanto, o protesto se tornou uma boa oportunidade para os vendedores ambulantes que se posicionaram no entorno da praça oferecendo seus produtos, principalmente alimentos. O pipoqueiro disse que ficaria só até o começo da manifestação (18 horas), enquanto o vendedor de churros pretendia ficar até 20 horas. “Se acontecer atos de vandalismo, vou dar o fora de fininho”, confidenciou.
O clima de protesto envolveu também a Cúria Metropolitana de Porto Alegre. Uma faixa colocada diante da Catedral lembrava aos fiéis e manifestantes que “Milagres acontecem também quando o povo vai às ruas”.

Texto: Augusto Lerner (2º semestre) e João Pedro Arroque Lopes (5º semestre)
Fotos: Cassiana Martins (4º semestre)