Prefeitura de Porto Alegre assina acordo para moradores de rua voltarem às suas cidades

Duas entidades vão oferecer passagens gratuitas aos desabrigados

  • Por: Mariana Gomes Puchalski (4º semestre) | Foto: Giulia Cassol (3º semestre) | 20/06/2018 | 0

A Prefeitura de Porto Alegre já tem 150 passagens de ônibus para que moradores de rua possam voltar às suas cidades de origem. O acordo foi feito na terça-feira, 19, em parceria com a Federação das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado (Fetergs) e com a Associação Rio-Grandense de Transporte Intermunicipal (RTI). As duas entidades vão oferecer bilhetes intermunicipais e interestaduais sem custo aos moradores de rua. Durante os próximos dois anos, serão mais 300 passagens. O fornecimento destas depende da disponibilidade de assentos nos destinos das empresas associadas.

Segundo Neemias Freitas, coordenador da Secretaria Municipal de Saúde, a abordagem aos moradores é feita pela Fasc (Fundação de Assistência Social e Cidadania) e por profissionais de saúde. De acordo com ele, é perguntado se eles desejam retomar o laço familiar com parentes que moram longe. Aos que aceitarem, a Prefeitura oferece as condições para isso, como tratamento de saúde mental, casas locadas, curso de qualificação e a intermediação com empresas que estão interessadas em oferecer empregos aos moradores de rua. Uma dessas entidades é a Cooperativa Cootravipa.

Neemias explica que a assistente social faz uma ligação para a família perguntando se existe o desejo de receber o parente. Além do telefonema, a FASC também irá acompanhar o embarque na rodoviária de Porto Alegre e fazer contato com o órgão de assistência do município de destino, para que no momento da chegada a pessoa possa ser acolhida. A ação faz parte do Plano Municipal da Superação da Situação de Rua, cujo objetivo é a reintegração à sociedade de pessoas que vivem sem-teto em Porto Alegre.

Os desabrigados vivem em condição de vulnerabilidade social

Freitas ressalta que já existe uma lista de cadastro realizada pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social de moradores de rua interessados. Para fazer parte, a pessoa deve preencher os requisitos estabelecidos pela Prefeitura, como ser de baixa renda e, preferencialmente, estar disposto a realizar tratamento médico. Quem perdeu os vínculos familiares e, mesmo assim, queira voltar para a sua cidade natal também é aceito: “nós damos as condições para os moradores voltarem para a suas famílias”, comenta. Além de cidades do interior do Rio Grande do Sul, municípios de outros estados aparecem na lista de cadastro, como Florianópolis, Curitiba e São Paulo.

A moradora de rua de Porto Alegre Patrícia Soares Borges nasceu em Rio Grande mas viveu por muito tempo em Pelotas. Ela comenta que não sabia do projeto e que gostaria de voltar para o interior. Ela diz ainda que sem uma abordagem as pessoas não sabem como procurar: “quem não sabe não tem como conseguir o benefício”.

O Censo sobre o perfil da população de rua em Porto Alegre realizado em 2016 pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) verificou um aumento de 75,8% de moradores da rua na Capital.  Em 2008, quando foi feito o último levantamento qualitativo desse grupo, 1.203 pessoas viviam nas ruas. Em 2016, o número subiu para 2.115. O último estudo foi realizado em 2011, quando havia 1.347 pessoas em vulnerabilidade extrema.