Programas de divulgação buscam motivar interesse pela adoção de crianças maiores de 11 anos

Coordenadoria da Infância e Juventude do Rio Grande do Sul quer mudar o perfil procurado por pessoas que pretendem adotar uma criança, realidade que não condiz com a maioria dos jovens abrigados

  • Por: Carolina Dill (1º semestre), Lara Moeller (1º semestre) e Isabella Britto Schmitt (3º semestre) | Foto: Carolina Dill (1 semestre) | 24/07/2019 | 0

A realidade dos abrigos do estado do Rio Grande do Sul traz números preocupantes. São 6.271 pretendentes para 669 crianças já aptas que continuam abrigadas sem perspectivas de saída. Em Porto Alegre, são 855 crianças acolhidas, sendo apenas 230 delas já no sistema para adoção. Isso ocorre devido ao fato de que algumas delas são acolhidas provisoriamente apenas por alguma situação específica, podendo retornar à guarda da família, e outras ainda estão em processo de desvinculação familiar. O que torna a criança apta para adoção é a decisão definitiva de destituição do poder familiar. 

A Coordenadoria da Infância e da Juventude criou projetos com o intuito de mudar a realidade da procura pela adoção. Segundo a juíza corregedora e coordenadora da Infância e da Juventude, Nara Cristina Saraiva, o grande número de pretendentes não condiz com a quantidade de crianças que ainda estão nos abrigos do RS. São cerca de 10 adultos interessados na adoção para cada jovem abrigado. A grande dificuldade no processo é o perfil infantil procurado, pois 90% dos pretendentes querem crianças de até 6 anos, sendo que 88% delas têm entre 11 e 17 anos. Os adultos na fila de espera muitas vezes têm em seu imaginário que a vinculação e o convívio com uma criança pequena acontecerá de maneira mais fácil, e isso acaba projetando o perfil procurado.

Um dos projetos criados que visam a aproximação dos pretendentes com as crianças de mais idade do sistema é o “Dia do encontro”. O propósito é  proporcionar uma tarde de atividades e brincadeiras entre os pretendentes inscritos e crianças e adolescentes de diversos abrigos. A partir da interação e do convívio, é esperado que, com a visibilidade dada, surja o interesse pela adoção tardia.  

Uma parceria entre o Ministério Público, o Poder Judicial e a PUCRS resultou na criação do Aplicativo Adoção. Neste caso, o pretendente faz o cadastramento a partir de seu cpf junto ao juizado da infância, podendo então acessar fotos, vídeos e descrições das crianças que estão disponíveis para adoção no sistema do Estado. O mecanismo visa a aproximação de ambos os lados, e a projeção é de que a procura cresça conforme mais crianças forem adicionadas no aplicativo.

“Adote um pequeno torcedor” também foi criado com esse intuito. As crianças visitam os estádios dos dois maiores clubes de futebol da capital gaúcha (Grêmio e Internacional) e gravam suas histórias contando desejos e sonhos. Esses vídeos posteriormente são exibidos no telão durante o intervalo dos jogos, com o objetivo de sensibilizar o público. A participação do jovem nesses projetos só ocorre em decorrência da autorização do mesmo. Até agora, são em média 20 adoções e 20 guardas em percurso resultantes das três iniciativas.

Muitos desses jovens, mesmo com a criação dos programas de visibilidade, acabam completando a maioridade dentro dos abrigos e são obrigados a deixar a instituição e encarar a vida de adulto sozinhos.  Projetos de capacitação para os inserir no mercado de trabalho, como jovem aprendiz, estágios e oficinas, são algumas das medidas oferecidas pelas casas de acolhimento no processo de preparação para a saída