Protesto contra aumento de passagens reúne diferentes perfis de manifestantes

Se, olhando de longe, os milhares de jovens que lotaram as ruas do centro de Porto Alegre na noite dessa segunda-feira para se manifestar contra o aumento da passagem de ônibus pareciam uma massa homogênea, de perto percebia-se a diversidade daqueles que lutavam pela redução da tarifa.

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Portando flores, como fora sugerido nas redes sociais, Luísa Stopassola, estudante de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), se dizia favorável a um protesto pacífico. “Não concordo com a violência. No protesto da última quarta-feira, acho que a polícia foi muito violenta, e o pessoal apenas reagiu. Eles [polícia] têm armas e bombas, nós temos apenas o protesto e as flores”, afirmou.

Veja uma galeria de fotos da manifestação do dia 1º de abril:

Para ela, a presença de pessoas identificadas com bandeiras de partidos políticos é prejudicial ao movimento. “O movimento não é partidário, é de todos os trabalhadores e estudantes. Essas bandeiras fazem com que a causa perca sentido”, disse.

Militante do PSTU diz que há espaço para partidários e não-partidários

Estudante de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e militante do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), Matheus Gomes discorda de Luísa. “O movimento é amplo e democrático. Tem espaço para os estudantes, rodoviários, partidários e não-partidários”, salientou. Matheus ressalta que, apesar das diferenças, um aspecto unia a todos: “O que congrega todo mundo por aqui é a vontade de ver a passagem de Porto Alegre ser mais barata, e isso é o mais importante”.

Representantes da política institucional também estiveram presentes no ato. Vereadora de Porto Alegre pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Sofia Cavedon se via como uma espécie de mediadora. “Estou cumprindo o meu papel enquanto vereadora, que é intermediar o contato entre os movimentos sociais e o poder instituído”, justificou.

Na avaliação de Sofia, no protesto da última quarta-feira os manifestantes saíram do controle. “Acredito que faltou diálogo e o pessoal se descontrolou. Não estive aqui pra saber de onde começou a violência, se da Polícia ou de quem protestava. Agora queremos estabelecer um diálogo: até falei com o Cezar Busatto, secretário da Governança Local, e com outras pessoas da Prefeitura à tarde”, recordou.

Jovem cobre o rosto “para unificar a causa”

Com a face coberta por um lenço, um manifestante que não quis se identificar, apenas pediu para ser chamado de Mendigo, “porque é da rua”, justificou sua opção pelo anonimato. “Não quero que vejam um rosto isolado, quero que percebam que a manifestação é coletiva. Não é um indivíduo, é a multidão, é pra unificar a causa”, argumentou. Comparando o protesto da última quarta-feira com o dessa segunda, Mendigo entende que, na semana passada, o clima estava “mais tenso”. “No último ato, a atuação da Polícia foi o estopim, daí toda a agitação começou. Acho que às vezes é preciso destruir pra construir”, finalizou.

Texto: Caio Venâncio (3º semestre)
Fotos: Caroline Ferraz (4º semestre)