Prova para ingresso na Escola de Cadetes do Exército tem 42 mil inscritos para 440 vagas

Este ano, 10 mil mulheres disputam 40 vagas

  • Por: Flávia Pereira (1° semestre) | Foto: Pedro Spieker (2° semestre) | 29/09/2017 | 0
Alunas integram as turmas do curso preparatório para o exame
Alunas integram as turmas do curso preparatório para o exame

Em Porto Alegre e mais 39 cidades do país, ocorre, neste final de semana (30/09 e 01/10), a primeira fase do concurso de admissão à Escola Preparatória de Cadetes do Exército. Localizada na cidade paulista de Campinas, a escola corresponde ao primeiro ano de formação militar de um total de cinco. Neste ano, estão inscritos 42.870 candidatos para 440 postos, enquanto 10.895 mulheres disputam as 40 vagas, uma concorrência em torno de 272 candidatas por vaga.

O ingresso feminino em escolas militares virou lei em 2012, no governo da ex-presidenta Dilma Rousseff. Na capital gaúcha, o local de prova é o Colégio Militar de Porto Alegre. A edição deste ano é a segunda em que mulheres poderão concorrer a vagas para o serviço de intendência e o quadro de material bélico e assim alcançar patentes antes nunca alcançadas pelo sexo feminino.

O concurso de admissão à escola ocorre em duas etapas. A primeira fase consiste em provas objetivas de Matemática, Física, Química, História, Geografia, Português, Literatura e Inglês e uma prova de redação. A segunda fase será na sede da escola, em Campinas-SP, em janeiro do próximo ano e compreende uma avaliação de saúde e um teste de aptidão física.

Há uma diferenciação no teste de aptidão física ao qual as mulheres são submetidas. Os exercícios são os mesmos, mas o número de repetições é menor, respeitando diferenças entre os físicos masculino e feminino. O candidato que for aprovado nas duas etapas está apto a se matricular no curso. Durante o ano que estiver na escola, o estudante terá avaliações acadêmicas e militares e se aprovado, ingressará na Academia Militar das Agulhas Negras, localizada em Resende no Rio de Janeiro, como cadete.

 

Concorrência

O ingresso feminino em escolas militares virou lei em 2012, no governo da ex-presidenta Dilma Rousseff. A lei 12.705 sancionada por ela dava o prazo de cinco anos para as escolas fazerem as reformas necessárias para receber as candidatas. As Escola Preparatória de Cadetes do Exército e de Sargento das Armas receberam as primeiras turmas femininas este ano.

O concurso atrai tantas inscrições por ser de âmbito nacional e ter um alto nível de dificuldade, explica o professor de matemática Matheus Xavier Capella, do Elite Pré Vestibular, de Porto Alegre. Vestibulandos que querem cursos bastante concorridos e com notas de corte elevadas fazem a prova com o intuito de testar seus conhecimentos. Muitos recebem uma nota elevada, mas não comparecem à segunda etapa, fazendo com que mais chamadas sejam feitas para preencher as vagas restantes. Xavier que foi aprovado na Escola de Cadetes em 2011 e considerado apto para realizar a matrícula alega que o concurso acaba em momentos diferentes para cada pessoa. Ele pediu desligamento antes da matrícula.

Sobre as vagas destinadas ao público feminino, o professor das turmas militares do Elite Pré Vestibular faz uma analogia com o número de vagas que a Universidade Federal do Rio Grande do Sul oferece pelo Sistema de Seleção Unificada: “A UFRGS, quando decidiu destinar uma porcentagem das vagas para ingresso via Sisu, não foi de 50% como é hoje. Não seria coerente ofertar metade das vagas para o público feminino logo no primeiro concurso, teria que ser algo gradual”, opinou Xavier.

 

Preparação

Dos 83 alunos divididos em duas turmas no Elite, 12 são mulheres. Elas têm entre 17 e 21 anos, faixa etária pré-requisito para o candidato de qualquer gênero se inscrever no concurso. A maioria delas estudou em colégio militar ou tem militar na família. Outras tiveram curiosidade e fascínio pela carreira.

Laila Roveda e Eduarda Bendlin Machado, de 18 anos, estudaram em colégio militar e tem familiares militares. O pai de Laila é sargento da reserva do Exército, ela desde pequena ia com ao pai no quartel e foi criando amor pela profissão. Eduarda aponta o incentivo do irmão, que atualmente está na AMAN, e o colégio no qual estudou como motivadores para querer seguir carreira no Exército.

Luiza Mertz Sousa e Marilia Rodrigues, de 19 anos, vão fazer a prova pelo segundo ano. Elas não estudaram em colégio militar e não têm familiares nas Forças Armadas. O que motiva Luíza a tentar ingresso na escola é a Força de Paz do Exército e a meritocracia da instituição. Ela não se imagina em uma profissão que não seja no Exército. Marília desde criança quer ser militar e sempre foi fascinada pela carreira.

Larissa Takeda é outra aluna da turma que não tem familiar no Exército, mas entrou concursada no Colégio Militar de Porto Alegre. Ao ingressar no colégio, a jovem já pensava em seguir carreira nas Forças Armadas. Ela conta que sempre admirou o Exército e que, em 2012, conheceu as escolas militares e se apaixonou pela Academia Militar das Agulhas Negras.

As candidatas esperam que o número de vagas ofertadas aumente. O Exército é a força armada com o menor efetivo de mulheres, sendo a Aeronáutica a de maior número. De uma forma geral, de acordo com dados do instituto Igarapé, as mulheres são 7,61% do efetivo das Forças Armadas do Brasil.