PSOL afirma que mandado de apreensão em casa de militante é perseguição política

O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) se manifestou nesta última quarta-feira (2) sobre os mandados de busca e apreensão cumpridos na tarde de terça-feira na residência do militante do partido Lucas Maróstica. O jovem, que participou dos protestos na capital gaúcha, está sendo acusado de formação de quadrilha e depredação ao patrimônio público na mobilização que ocorreu em junho em Porto Alegre. Em coletiva de imprensa realizada na bancada do PSOL na Câmara dos Vereadores na quarta-feira, os líderes do partido exigiram o arquivamento imediato do inquérito policial que investiga atos de vandalismo que o militante teria cometido.

No momento da apreensão pela Polícia Civil, o militante não se encontrava em sua residência. Também ativo na luta pelos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros (LGBTs), Maróstica estava em Belo Horizonte participando de uma passeata realizada pelo movimento. De acordo com sua advogada e dirigente do PSOL, Luciana Genro, livros e panfletos foram levados pelos policiais.

Para a vereadora Fernanda Melchionna (PSOL), “somente em regimes totalitários livros foram apreendidos”. De acordo com Luciana Genro, essa atitude é vista como uma tentativa de intimidação:

– Eles buscam criminalizar os movimentos sociais. Impedir “novos junhos” não vai ser uma medida de sucesso do governo, afirma.

Fora o PSOL, o PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado) também possui um militante que foi acusado dos mesmos crimes. Mateus Gomes teve a casa vasculhada assim como Lucas Maróstica.

O governador Tarso Genro convocou uma reunião com os líderes dos partidos que possuem militantes acusados de envolvimento em depredação. Porém, somente lideranças do PSTU compareceram. De acordo com o vereador Pedro Ruas, o PSOL optou por não participar da reunião neste primeiro momento para priorizar a coletiva do partido que já havia sido anunciada para a manhã de quarta-feira.

O estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Lucas Maróstica afirmou na coletiva que em nenhum momento depredou prédios nas mobilizações. O militante ainda faz parte do Movimento Bloco de Lutas que diversas vezes organiza as passeatas. Segundo o estudante, é o movimento Black Bloc o responsável pela destruição dos patrimônios.

No mês passado, o Partido dos Trabalhadores lançou na televisão uma propaganda apresentando as mobilizações deste ano na capital gaúcha. Mostrando imagens de jovens mobilizados sem autorização, o Bloco de Lutas expulsou a juventude do partido do movimento e os acusou de oportunistas. Na coletiva, Maróstica relembrou que sua imagem aparecia em uma das propagadas e ironizou a atitude do chefe do governo do estado ao utilizar sua participação, mas ao mesmo tempo o acusa de “quadrilheiro”.

O vereador Pedro Ruas (PSOL), juntamente com as lideranças de seu partido, afirma que o Secretário de Segurança do Estado, Airton Michels, não tem condições de permanecer no cargo.

Texto e fotos: Vitória Famer (7º semestre)