Professora da Famecos/PUCRS Beatriz Dornelles (Guilherme Testa/Espaço Experiência)

Redemocratização começou com perplexidade

Ouça uma entrevista com a professora da Famecos/PUCRS Beatriz Dornelles, que era setorista de política da RBS em Brasília entre a eleição de Tancredo Neves e a posse de José Sarney.

  • Por: Thiago Rocha (4º semestre) | Foto: Guilherme Testa (Espaço Experiência) | 13/03/2015 | 0

No dia 15 de janeiro de 1985, às 12h25, se encerrava um ciclo político de 21 anos no país. Com a eleição do civil Tancredo Neves para presidência da República pelo Colégio Eleitoral, o governo militar começava a se retirar do Palácio do Planalto. O ex-governador de Minas Gerais, Tancredo Neves, foi escolhido para ocupar o cargo mais importante do país.

As eleições foram indiretas, a cargo de um Colégio Eleitoral que optou entre Tancredo, do PMDB, e Paulo Maluf, do PDS (hoje PP), que representava os militares. A vitória do candidato da oposição entrou para a história pela cena da comemoração de manifestantes carregando uma enorme bandeira nacional pela rampa do Congresso Nacional, mas também pela grande diferença de votos: 480 para Tancredo contra 180 para Maluf. A chapa do PMDB era composta também por José Sarney, ex-governador do Maranhão.

No entanto, a festa da democracia iniciada em janeiro se transformou em apreensão e frustração justamente no dia marcado para a posse do novo presidente da República, 15 de março de 1985. Na véspera, Tancredo Neves foi hospitalizado devido a uma diverticulite que evoluiu para infecção generalizada. Perplexos, os brasileiros viram o vice José Sarney ocupar o Palácio do Planalto, enquanto se instalava o medo de que os militares não aceitariam a substituição temporária de Tancredo Neves. O que era para ser temporário, Sarney como presidente da República, se consolidou com a morte de Tancredo em 21 de abril de 1985.

Acompanhando de perto as gestões e as disputas da eleição de Tancredo, em Brasília, e depois a crise da posse de Sarney na presidência da República, estava a jornalista e atual professora da PUCRS Beatriz Dornelles. Natural de Alegrete e formada pela Faculdade de Comunicação Social da PUCRS, Beatriz trabalhou em grandes veículos de comunicação cobrindo politica e outros assuntos. Em 1985, no Colégio Eleitoral a repórter era setorista de politica na sucursal do Grupo RBS na capital federal. A jornalista também esteve presente nas fatídicas horas que definiram a posse do vice-presidente da Republica, José Sarney e depois no período de agonia e morte de Tancredo.

Nesta entrevista, Beatriz conta como os jornalistas acompanharam estes momentos, testemunhando a perplexidade e a frustração de toda a nação. Pontuam essa entrevista, trechos de músicas que marcaram estes momentos históricos do período que ficou conhecido como de redemocratização política do Brasil. Com essa entrevista, Editorial J inicia a publicação de uma série de depoimentos que visam destacar e refletir sobre os 30 anos do processo de redemocratização brasileiro.