Refundadora do ARENA critica cotas e cutuca presidente do Brasil

Porto Alegre já falava bastante sobre a Arena e desde a última terça-feira, 13, a palavra foi repetida várias vezes não só na capital dos gaúchos, porém em todo o Brasil. Mas era outra Arena: a Aliança Renovadora Nacional.

O partido que apoiou a ditadura militar no Brasil foi extinto em 1979, mas a estudante de Caxias do Sul, Cibele Bumbel Baginski, 23 anos, já deu o primeiro passo em direção ao ressurgimento da ARENA. Ela conseguiu que o estatuto da sigla fosse publicado no Diário Oficial da União.

A gaúcha já conquistou o apoio de 144 pessoas em 15 estados (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás, Distrito Federal, Tocantins, Sergipe, Pernambuco, Maranhão, Amapá, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul) e agora busca assinaturas para conseguir o registro partidário no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Acredito que vamos alcançar o número necessário e firmar o partido ARENA até 2013 para já podermos concorrer em 2014”, afirma Cibele. A página no Facebook do novo partido já tem mais de 2 mil fãs.

Falando bastante em democracia, a estudante disse que se surpreendeu com a repercussão favorável e a procura para apoiar o partido. “Muitos jovens e até antigos arenistas mostraram apoio ao nosso retorno”, destaca. Não se pode ignorar, no entanto, que as críticas não foram poucas ou brandas. “Infelizmente o brasileiro não sabe lidar com opiniões opostas e eu já recebi várias ameaças, quanto às mais pesadas eu dei queixa na polícia”.

Questionada sobre o porquê de retomar o nome do partido, ela destaca que a escolha foi feita em uma votação do grupo e que a sigla foi eleita democraticamente. Cibele não nega que ficou feliz pela escolha das pessoas, pois também havia votado na nomenclatura. “Quem mais se surpreendeu com a preferência foi a área do marketing”, destaca.

Algumas das propostas do novo partido dividem opiniões dos brasileiros. Entre elas, abolição de qualquer sistema de cotas. Segundo Cibele, a educação precisa de planejamento e melhoras. “O sistema de cotas é como tapar o sol com uma peneira. Como o governo não consegue oferecer uma educação de alto nível, ele prefere oferecer de barbada uma vaga na universidade”.

Outras propostas são: a privatização do sistema penitenciário, aprovação da maioridade penal aos 16 anos, retorno das disciplinas de moral e cívica e latim ao currículo escolar, retomada do controle de estatais fundamentais à proteção da nação e reaparelhamento das forças armadas.

A presidente provisória da ARENA afirma ser contra o julgamento dos torturadores da época da ditadura e cutuca a presidente Dilma Rousseff. “Isso é implausível. É como pegar a Constituição Federal de 1988, amassar e jogar futebol. Se é para julgar, então temos que fazer isso com quem cometeu crimes na época, o que no caso envolveria a presidenta do Brasil”.

Na quarta-feira, 14, o Exército Brasileiro realizou uma matéria sobre o possível ressurgimento da ARENA.

Para o ARENA virar partido ainda restam 4 etapas:

– Reunir assinaturas de eleitores correspondentes a, no mínimo, 0,5% dos votos válidos dados na última eleição para a Câmara dos Deputados (2010), ou seja, 491.656 assinaturas, distribuídas em pelo menos nove estados.
– Designar, definitivamente, os dirigentes da direção nacional e dos órgãos de direção municipais regionais
– Solicitar o registro nos respectivos TREs, por meio de requerimento acompanhado de documentação
– Solicitar o registro perante o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O plenário do TSE decide. Somente esse registro garante ao partido sua participação no processo eleitoral e recebimento de recursos do Fundo Partidário, acesso gratuito ao rádio e à televisão

Texto: Eduardo Bertuol (7º semestre)