Repórter precisa se preparar por conta própria para Olimpíada

José Alberto Andrade, repórter da Rádio Gaúcha, comenta sobre sua experiência com coberturas de Olimpíadas

  • Por: Matheus Wolff (3ª sem.) | 15/06/2016 | 0

Como a Olimpíada deste ano é no Brasil (Rio de Janeiro), fica mais fácil para o repórter obter informações e conhecer o ambiente que vai trabalhar. O interesse da mídia aumenta pelo investimento que o governo fez para obter resultados na área esportiva, projeta José Alberto Andrade, repórter da Rádio Gaúcha, de 51 anos, que cobrirá sua sexta Olimpíada neste ano.

Ele espera que, além do País alcançar o melhor resultado de todos os tempos, o evento melhore áreas desportivas desconhecidas e se possa aprender mais sobre as modalidades. Diante de um esporte desconhecido, o repórter não encontra curso preparatório sobre as modalidades. Logo, o jornalista deve, por sua conta, buscar informações básicas sobre o esporte, como é, como se joga, as regras do jogo, como faz para ganhar a partida e qual é a história da modalidade nos esportes olímpicos. A informação é obtida no debate entre colegas e com conversar com desportistas, explica Andrade.

O repórter da Rádio Gaúcha começou como produtor e, desde 1989, trabalha em reportagens. Para o radialista, por ser no Rio Janeiro a mídia brasileira tem um desafio maior de cobrir mais detalhadamente os eventos.”Óbvio que cada um tem preferência por um determinado esporte. Mesmo assim, o repórter tem que mostrar interesse por cobrir outras pautas”, comentou.

Quando ele começou não existia especialistas em outros esportes, assim como se tem no futebol. “O jornalista vai atrás das informações quando surge uma oportunidade como a olimpíada. A emissora é responsável por oferecer condições de trabalho. A especialização parte pela vontade do profissional. O repórter tem que se envolver com o assunto da pauta proposta”, argumenta.

Como vantagem da Olimpíada ser no Brasil, ele destacou que “conhecer o local e o idioma facilitam o trabalho jornalístico.Como as pessoas querem saber mais os jornalistas tem que trabalhar mais do que se fosse em outro país”. Andrade recomenda que  repórter fique atento a todos os fatores também aos externos aos jogos. “Tem que se detalhar aspectos econômicos e políticos envolvidos com mais profundidade”, exemplificou.

Além disso, tem que preparar a pauta, como em qualquer cobertura. Na Rádio Gaúcha, a reunião de pauta é feita pelos repórteres que vão cobrir os jogos. Andrade detalha: “Cada dia, se vê quais esportes vão acontecer e quais vão gerar um maior interesse do público e o que vai render mais matérias. Os jogos secundários apenas se cobrem trechos e se atualiza os resultados”.

Uma dúvida persiste, segundo o radialista. “Como a mídia e os atletas vão lidar com o esporte, passado o interesse financeiro de um grande evento como a Olimpíada?” As semanas após a Olimpíada podem ser não só de reverenciar vencedores. Atletas ainda terão patrocínio? Além disso, há o medo de serem criados elefantes brancos, com investimentos ociosos, reconhece Andrade.