Reunião entre Governo, ocupantes e proprietários de prédio ocupado termina em impasse

Terminaram sem acordo as negociações entre governo, moradores e membros do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), para decidir a respeito da desapropriação do prédio Saraí, entre as esquinas das avenidas Mauá e Caldas Jr., que está ocupado por famílias desde setembro.

A juíza Claudia Maria Hardt, da 19ª Vara Civil, determinou que um novo mandado de reintegração de posse será expedido dentro de 60 dias. Segundo o secretário de Estado da Habitação, Marcel Frison, a secretaria quer abrir um processo de desapropriação do imóvel. Para Frison, não existe motivo para o proprietário não querer negociar, pois o local está abandonado. “Eu vou passar a decisão para o governador Tarso Genro, mas antes digo que atualmente o prédio esta só servindo à especulação imobiliária”, promete o secretário de Habitação.

Também presente na audiência estava Ceniriani Vargas da Silva, integrante do MNLM. Ele afirma que novas reuniões serão realizadas internamente no grupo, para decidir os próximos passos. A secretaria apresentou um projeto de desapropriação com um valor que foi alcançado após avaliação por técnicos, mas mesmo assim os proprietários se negam a negociar com o governo. Segundo informações preliminares, o dono do imóvel pediu R$ 4,5 milhões pelo prédio na reunião de hoje.

Esta é a quarta ocupação do imóvel desde 2005, quando foi vendido pela Caixa Econômica Federal para a empresa Deconto. Antes, o prédio fora usado pela organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) para a escavação de um túnel, numa tentativa malograda de roubar um banco.

Veja as fotos do ato cultural realizado em frente ao prédio no dia 26 de abril.

Texto: João Pedro Arroque Lopes (6º semestre) e Caroline Ferraz (6º semestre)
Fotos: Guilherme Almeida (5º semestre), Yanlin Costa (2º semestre), Frederico Martins (5º semestre)