Rio Grande do Sul faz menos coligações políticas

Mais uma vez, o Rio Grande do Sul conta com número de candidatos para governador e senador acima da média nacional. Em 2010, foram lançadas nove candidaturas para o governo do estado, enquanto a média no Brasil era de 5,8. Neste ano, são oito campanhas no estado contra a média de 5,9. Para Bruno Lima Rocha, cientista político e professor da Unisinos e ESPM, a ocorrência de menos coligações se dá graças à força dos partidos pequenos no estado.

Rocha acredita na existência de um subsistema político estadual, fazendo com que a mesma legenda possua várias correntes e até mesmo origens diferentes dependendo do território. “No Brasil, não é possível a criação de um partido limitado somente a um estado, ao contrário do que acontece na Argentina”, exemplifica.

O cientista político Benedito Tadeu César cita o caso do PT e do PMDB, que são incapazes de se coligarem no Rio Grande do Sul, ao contrário do que acontece no âmbito nacional com a chapa presidencial formada por Dilma Rousseff e Michel Temer, que concorre à reeleição. Para César, existe uma postura hegemonista do Partido dos Trabalhadores, que raramente aceita um papel secundário em uma chapa. “O PT não aprendeu a ceder espaço”, afirma. Segundo o cientista político, a postura foi admitida por Lula no início dos anos 90, e dificultou a aproximação nacional do ex-presidente com Leonel Brizola.

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Os partidos menores lançam candidatos para governador como uma estratégia para aumentar a bancada legislativa tanto na esfera estadual quanto na federal, conscientes de que possuem poucas chances na corrida pelo cargo executivo, explica Tadeu César. Com uma votação representativa no primeiro turno, o apoio dos partidos do segundo turno ganha mais força, garantindo cargos e secretárias melhores. Em alguns casos essa tática pode até surpreender. O cientista político cita os casos do PSB e do PDT que lançaram candidatos à prefeitura de Porto Alegre, chegando, o PDT, a eleger José Fortunati.

Bruno Lima Rocha afirma que o número menor de coligações leva à fragmentação do sistema político. Para César, o fenômeno aumenta a representatividade, mas dificulta a formação de maiorias no legislativo. Rocha acredita que o número grande de partidos cria dificuldades para o eleitor. “O ideal seria menos legendas e mais demarcadas”, defende. Ele cita o caso de partidos pequenos de direita como o PSC e o PRTB que, no seu entendimento, possuem poucas diferenças entre si.

Texto: Victor Rypl (8º semestre)
Foto: Wikipedia Commons