Rio+20 é nova tentativa de acordo para diminuir o impacto do homem no meio ambiente

É a quarta vez em 40 anos que a Organização das Nações Unidas (ONU) faz uma reunião de cúpula sobre sustentabilidade, na qual líderes de Estado e grandes instituições reúnem-se para planejar metas e mudanças que encaminhem a sociedade para o desenvolvimento sustentável. A Rio+20 – Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – acontece desde o dia 13 e vai até 22 de junho de 2012, na cidade do Rio de Janeiro.

A primeira assembleia do gênero foi a Conferência de Estocolmo em 1972, seguida pelo Rio de Janeiro em 1992 e a Rio +10, em Johanesburgo, no ano de 2002. Desde então, os temas discutidos sobre a preservação ambiental mudaram muito, principalmente em razão do alto crescimento tecnológico e populacional do mundo. Além disso, poucas das metas apresentadas nas outras conferências foram cumpridas.

Em 1972, a capital da Suécia sediou a Conferência das Nações Unidas Sobre o Meio-Ambiente, que teve participação de 113 países e 250 ONGs. Foi a primeira vez que a superação de problemas ambientais entrou em discussão em termos internacionais, pois até então era comum ver os recursos naturais como inesgotáveis. Os propulsores do evento foram a crescente poluição do ar e da água, a extinção de espécies da fauna e da flora e os acidentes ambientais, como o ocorrido na usina nuclear russa de Mayak em 1957. Foi na Conferência de Estocolmo que se instituiu o dia 5 de junho como o Dia Mundial do Meio Ambiente.

Os países desenvolvidos propuseram na reunião a estagnação total do crescimento econômico como forma de impedir a degradação do meio ambiente. Por outro lado, o desenvolvimento a qualquer custo era defendido pelos países subdesenvolvidos. Além disso, a ideia antropocêntrica norteava a Conferência, na qual as discussões visavam a necessidade de se preservar condições de vida adequadas para o homem.

Após 20 anos, ocorreu o maior evento das Nações Unidas até então. A Conferência Mundial para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, mais conhecida como ECO 92, aconteceu no Rio de Janeiro e contou com a presença de 108 chefes de Estado, além de 10 mil jornalistas e membros de mais de 8 mil ONGs. Este encontro deu origem à Agenda 21 – programa de ação baseado em um documento de 40 capítulos, que é a mais abrangente tentativa já realizada de promover um novo padrão de desenvolvimento em escala planetária, conciliando métodos de proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica. Resultaram desse documento outros cinco acordos: a Declaração do Rio, a Declaração de Princípios sobre o Uso das Florestas, o Convênio sobre a Diversidade Biológica e a Convenção sobre Mudanças Climáticas. Somaram-se aos problemas discutidos na última edição a preocupação com a erradicação da pobreza e a ideia de que os países desenvolvidos foram os que contribuíram mais para a degradação da natureza, por isso, também deveriam ter mais responsabilidade em compensar esta falha.

Um momento marcante da Eco 92 foi o comovente discurso de Severn Suzuki, canadense de apenas 13 anos. Ela foi aplaudida de pé por autoridades do mundo todo ao criticar a falta de responsabilidade dos chefes de Estado com as próximas gerações. “Meu pai sempre diz ‘você é o que você faz, não o que você fala’. Bem, o que vocês fazem me faz chorar à noite. Eu desafio vocês. Façam suas ações refletirem suas palavras”, concluiu ela.

Em 2002, foi a vez da capital da África do Sul sediar a Rio+10, que tinha como principal objetivo avaliar os resultados alcançados desde a Eco 92. A conclusão foi de que pouco havia sido feito. A agenda de debates tratou também sobre energias renováveis e a responsabilidade ambiental das empresas. O evento não foi tão impactante como as edições anteriores e não obteve grandes resultados.

Este ano, os temas planejados para debate são a economia verde e a estrutura institucional e a Rio+20 promete ser o mapa para o futuro. A diminuição dos níveis de consumo e produção de alimentos, água e energia  também devem ser abordados, além de visar a máxima participação da sociedade civil. Sua maior diferença para outras edições é que não é apenas a preservação da natureza que está em pauta. “É uma conferência sobre meio ambiente, a economia e o social. São os três pilares do desenvolvimento sustentável”, afirma André Corrêa do Lago, negociador-chefe do Brasil para a Rio+20.

Fontes consultadas:

Site oficial da Rio+20

Canal oficial da Rio +20 no YouTube – Discursos do negociador chefe do Brasil para a Rio+20, embaixador André Corrêa do Lago

Departamento de Geografia da USP

Veja mais: Vídeo do discurso de Severn Suzuki na Eco 92.

Texto: Daniela Flor (1º semestre) e Gabriella Monteiro (1º semestre)