Rodrigo Albornoz: um legado de alegria e generosidade

Colegas de profissão compartilham memórias e experiências vividas com o jornalista Rodrigo Albornoz, vítima de um tipo raro de câncer aos 30 anos.

  • Por: Gabriel Bandeira (3º semestre) | Foto: Divulgação/ Ricardo Noschang | 08/06/2017 | 0

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“Um jornalista de sensibilidade, um homem de sorriso fácil, um enorme amigo muito querido, muito iluminado, otimista por toda a vida. Ele vai deixar uma enorme saudade”. Foi assim que Tiago Maranhão, um dos apresentadores do programa Troca de Passes, da SporTV, se despediu do amigo e colega Rodrigo Albornoz, antes de ser consolado pelos colegas de bancadas. Diagnosticado com um tipo raro de câncer chamado sarcoma, um dos mais perigosos e difíceis de combater, Albornoz veio a falecer na noite desta quarta-feira (7), no Pavilhão Pereira Filho, hospital do Complexo Santa Casa, em Porto Alegre.

Conhecido por ser amante de reggae, Albornoz se formou em Jornalismo pela Faculdade de Comunicação Social da PUCRS, em 2008. Com breves passagens pelas rádios Band News e Gaúcha, participou da primeira edição do Passaporte SporTV, projeto do canal de assinatura para revelar novos talentos. Integrou a equipe da emissora nas coberturas da Copa do Mundo de 2010 e dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, no ano passado. Além da profissão de jornalista, ele também era músico e integrava a banda Noventa & Loucos com Buba Stefani. “Não só o fato de fazer um projeto musical com ele, mas o fato de ser amigo e conviver com ele foi uma dádiva. Não bastasse o talento, Rodrigo foi um cara que exalava amor e luz. Um cara iluminado, sem dúvidas”, recorda o parceiro.

Ex-colega de Albornoz, Paulo Rocha relata que o conheceu quando disputavam uma vaga de estágio na Rede Bandeirantes. Albornoz haveria de conquistar a vaga, mas, dias depois, ele conseguiu entrar em outra seleção. Agora colegas na mesma emissora, ambos trocavam impressões e conselhos, enquanto tentavam se familiarizar com o hard news, naquela primeira experiência em um grande veículo. Hoje repórter da Rádio Gaúcha, Rocha destaca o humor sempre pra cima que marcou o repórter ao longo da carreira. “Desde essa época, ele possuía as características que o marcariam por toda a vida: o ótimo astral e a generosidade. No período em que trabalhamos, não houve um dia sequer que eu tenha testemunhado o Rodrigo de mal com alguém. Pelo contrário, agregava pessoas graças a esse perfil sempre disposto a ajudar e a aprender.”

Recém chegada de Caxias do Sul, Marjuliê Martini, locutora de rádio da Band News na época, relembra que Albornoz foi o seu primeiro amigo em Porto Alegre. “Conheci o Albornoz há 10 anos, na Band News. Ele era um cara excepcional. Uma pessoa leve, dedicada, esforçada e talentosa. Queria muito fazer as coisas. Quando tínhamos que ir para a redação de manhã, era ele o encarregado de desconstruir o mau-humor do colega José Carlos Roque durante a viagem. Então ele ia o caminho todo cantando jingles famosos da época. É isso  que descreve o Rodrigo: alguém que vinha para desconstruir o clima ruim.”

Na Famecos, Fábian Chelkanoff, coordenador do curso de Jornalismo da faculdade, conta que a trajetória de Albornoz para conquistar os seus sonhos começou desde cedo. Batalhador, não perdia as oportunidades proporcionadas pelo curso. Cativador, arrebatava amizades por onde passava. “Sempre foi um guri que fez de tudo. Não achava limite paras coisas. Ele via a oportunidade e ia adiante. Ele queria que o período da faculdade fosse um grande período em todos os sentidos. E via ali uma caminhada que pudesse levar ele pro mercado, pro trabalho que ele queria. Um cara muito parceiro, gente boa e muito focado naquilo que ele queria. Mas um foco positivo. Sem atropelar todo mundo. Tanto que ele fez amigos em todos os lugares. Todos lembram dele como um cara humano, parceiro, amigo, leal e acima de tudo um amante da vida. Um cara que gostava e amava viver.”