Servidores e estudantes pressionam deputados e governador

Acampamento na Praça da Matriz reúne entidades do funcionalismo público e de estudantes, contrárias ao chamado Ajuste Fiscal Gaúcho, proposto pelo governo estadual.

  • Por: Vinicius Spengler (2º semestre) | Foto: Vinicius Spengler (2º semestre) | 09/09/2015 | 0

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Tendas e barracas ocupam a Praça da Matriz, centro de Porto Alegre, desde as primeiras horas de terça-feira (8). São representantes de 43 entidades de servidores públicos estaduais que decidiram acampar nas proximidades dos Palácios Piratini (Executivo) e Farroupilha (Legislativo) para pressionar os deputados no sentido de que eles votem contra as pautas do chamado Ajuste Fiscal Gaúcho, proposto pelo governador José Ivo Sartori.

As organizações sindicais passaram a despachar suas pautas da Praça. Por exemplo, o Centro de Professores Estaduais do RS (Cpers) projeta reuniões durante a semana para organizar a próxima assembleia, marcada para sexta-feira, dia 11. Além dos professores, estão acampados policias, agentes penitenciários, servidores do Judiciário e estudantes.

As principais reivindicações estão focadas nos Projetos de Lei 169/2015 e 206/2015, que preveem, respectivamente, alteração no processo de escolha dos diretores da rede estadual de ensino e criação da Lei de Responsabilidade Fiscal que estabelece regras para a limitação do crescimento da despesa com pessoal e custeio para todos os poderes.

“É um projeto de lei que retira direitos, congela nossos salários. Vamos chegar em 2019 recebendo 20% a menos nos salários, como se a culpa pela crise do estado fosse nossa”, disse a vice-presidente do Cpers, Solange Carvalho, ao comentar o PL 206/2015. A vice-presidente também afirmou que “o combate à sonegação e a revisão do ICMS são alternativas ao governo estadual para arrecadar mais, apontou.

A luta unificada foi comemorada pelo professor da rede estadual Gustavo Tricot. “A categoria, depois de muito tempo, está organizada. Os estudantes são uma engrenagem fundamental de apoio”, ressaltou. O professor frisou que “o funcionalismo não pode ser tratado de uma maneira arrogante, truculenta e desrespeitosa”.

Os manifestantes expressavam oposição aos projetos e à perspectiva do governo Sartori de implantar o Ajuste Fiscal Gaúcho. “O resultado disso tudo é vencer o governo do estado e em segundo lugar garantir mais direitos”, projetou Leonel Lucas, presidente da Associação de Cabos e Soldados da Brigada Militar. Lucas já contabilizava algumas conquistas, “a primeira foi a retirada do PL 169 e também não ter passado a pauta da Previdência e do ICMS”, disse.

O acampamento tem o apoio de centrais sindicais, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT). O presidente estadual dessa entidade, Claudir Nespolo, alertou para a continuidade da mobilização, “essa é uma corrida de maratona, não uma corrida de 800 metros, portanto, sabemos que o governo tem mais três anos de mandato e ele está dosando os pacotes de mudança”, ressaltou. “Esse acampamento cumpre uma primeira etapa, que é mostrar a vitalidade do movimento”, comemora Nespolo.

A mobilização pode se espalhar pelo o interior do estado, dependendo do que for acertado durante as assembleias desta semana, segundo os representantes sindicais.