Setembro é também mês para debate da cultura negra

Evento Enegrecendo Setembro coloca em debate a representação do negro na história do Rio Grande do Sul

  • Por: Thais Macedo (1º semestre) | Foto: Matheus Madril, especial para Editorial J | 21/09/2017 | 0
Evento debate a forma como o povo negro é representado na história
Evento debate a forma como o povo negro é representado na história

A valorização da cultura e da comunidade negra na formação da sociedade brasileira é o objetivo do evento Enegrecendo Setembro, que se realiza durante todo o mês de setembro no Instituto Federal de Ciência e Tecnologia – Campus Porto Alegre. O evento que começou no dia 4 de setembro quer debater a representação do negro na história do Rio Grande do Sul, justamente no mês de comemoração da Revolução Farroupilha.

A ideia de promover esse debate partiu das professoras Renata Severo e Aline Ferraz, respectivamente responsáveis pelas disciplinas de Português e História no instituto. Por causa da falta de visibilidade do negro na história do estado e também dentro do próprio campus, Renata Severo propôs a atividade para engrandecer a comunidade negra. O evento também se insere nos princípios da lei 10.639/2003 que exige o “estudo da História da África e dos Africanos, a luta deste povo e sua participação na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil”, explica Aline Ferraz. Ela acrescenta que essa lei completa 15 anos de sua criação.

Outro objetivo, segundo a professora Aline, é levar para dentro do Instituto pessoas negras para falar das questões da população negra. “Tínhamos a preocupação de convidar negros e negras justamente para não ser mais um evento em que brancos vão falar sobre a negritude,nesse quesito está sendo um sucesso”.

“O Sexo e as Negas” foi o tema abordado pela jornalista Iarema Soares que, em 11 de setembro, falou sobre a representação da mulher negra nos seriados da Rede Globo. Ela tratou do racismo e da forma como povo negro é apresentado à sociedade através de personagens estereotipados. Em entrevista, ela assinalou que “a televisão está inserida em uma sociedade racista, machista e classista, as pessoas envolvidas na redação dos roteiros e na direção são, em sua maioria, homens brancos que vão reproduzir e reforçar tipos e padrões de comportamento que eles entendem serem típicos da população negra”.

Iarema Soares considera que a temática racial não tem o espaço que deveria na televisão, porque as pessoas envolvidas nessas produções são brancas e não entendem que o racismo também deveria ser uma luta delas”. Quanto à presença do negro na comunicação, a jornalista diz que, em um primeiro momento, “profissionais negros precisam ser contratados para que esses espaços tenham diversidade de cultura, de vivências e de ideias para que determinadas abordagens em reportagens não caiam em representações estereotipadas”. Além disso, ela sustenta que “fontes e pesquisadores negros precisam ser entrevistados e serem entendidos como produtores de saberes por jornalistas e pela população como um todo”.

Os encontros acontecem no auditório térreo do campus (rua Coronel Vicente, 281, Centro Histórico). As inscrições são feitas na hora, mediante a apresentação de um documento com foto. As oficinas são abertas à comunidade, gratuitas e possuem certificado de participação. O evento conta com a participação do Frente Quilombola/RS que, na quinta (21) organizou um debate em torno do filme “Mãe África”, problematizando a situação do povo negro e racismo institucional.