Sindicato busca apoio para financiar defesa de Matheus Chaparini

Jornalista do jornal Já, preso em 2016 ao cobrir ocupação do prédio da Secretaria da Fazenda, responde a processo judicial

  • Por: Clara Godinho (1° semestre) | Foto: Arquivo Editorial J/ Sara Santiago | 11/05/2017 | 0
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Chaparini concedeu entrevista ao Editorial J para falar sobre sua recente defesa na justiça

 

Até o final deste mês de maio, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS (Sindjors) espera arrecadar uma parcela considerável dos R$ 18 mil necessários para pagar o advogado criminalista que vai atuar na defesa do jornalista Matheus Chaparini e cobrir outros custos da campanha.

O repórter do jornal Já foi preso em 15 de junho de 2016, ao realizar matéria, no prédio da Secretaria da Fazenda ocupado por estudantes e professores. Hoje Chaparini responde a processo judicial. Devido ao alto custo, o sindicato optou por realizar um financiamento coletivo. A hashtag #apoieoChapa está sendo utilizada em diversas redes sociais por apoiadores do jornalista. Até 10 de maio, somente 8% dos R$ 18 mil (R$ 1.485) foram arrecadados, depósito feito por 32 apoiadores. As doações são de valores acima de R$ 10 reais no mínimo.

Na manifestação de 2016, o jornalista alega ter se identificado como tal, porém a Secretaria Estadual de Segurança sustenta que ele só informou ser jornalista quando já estava em custódia. Chaparini foi levado para a 3a Delegacia de Pronto Atendimento com mais 46 pessoas, entre elas estudantes, professores e o cinegrafista Kevin Darc, com quem dividiu a cela no Presídio Central.

Em entrevista para o Editorial J, Chaparini disse que “não cometi nenhum crime, estava exercendo minha profissão”. O repórter do Já afirma que o apoio do sindicato e de seus colegas de profissão é muito importante . Sobre ter dito ou não se era jornalista, Chaparini reafirma ter se identificado e diz que esta discussão serve apenas para tirar o foco, tendo dito ou não, não tinham o direito de levá-lo à delegacia com o restante dos ocupantes.

 

Link da campanha do financiamento:

https://www.youtube.com/watch?v=wdvIC4PtRxM

Link do financiamento online:

https://www.catarse.me/apoieochapa_84f2

Secretaria diz repórter era um militante

 

Na época, a Secretária de Segurança Pública divulgou uma nota de “esclarecimento sobre a custódia de Matheus Chaparini” aqui reproduzida:

A Secretaria da Segurança presta os seguintes esclarecimentos sobre a custódia de Matheus Chaparini, ocorrida em virtude da invasão do prédio da Secretaria da Fazenda, na data de ontem (15):

 

  1. A prisão em flagrante foi efetuada porque, durante todo o tempo, ele estava dentro do prédio invadido, agindo como integrante do grupo militante que praticou a invasão.
  2. Ele se identificou como jornalista quando já estava consumada a prisão pelo ato de invasão. Na Delegacia de Polícia, quando da lavratura do auto de prisão em flagrante, negou-se a falar, permanecendo em silêncio e optando por falar somente em juízo.
  3. Portanto, a prisão se deu em virtude do ato individual de invasão, do qual ele foi parte ativa, e não do exercício da atividade profissional de jornalista, cujas garantias são historicamente prestigiadas e asseguradas pelos órgãos de segurança do Rio Grande do Sul.
  4. Os profissionais de imprensa presentes na ocorrência em questão, respeitando o trabalho da polícia, tiveram garantido o exercício de sua atividade profissional.
  5. A Brigada Militar e a Polícia Civil cumpriram suas obrigações funcionais, resguardadas no princípio constitucional de que todos são iguais perante a lei. Eventuais equívocos serão apurados nos termos da legislação em vigor.
  6. Ao Poder Judiciário, no momento oportuno, caberá decidir sobre a responsabilidade penal dos adultos presos e indiciados no ato, garantido o contraditório e a ampla defesa.