Sindipetro prevê crise no setor petroleiro com mudanças na exploração do pré-sal

Votação na Câmara dos Deputados teve 292 votos a favor, 101 contrários e uma abstenção ao projeto que deverá ser sancionado pelo presidente Temer

  • Por: Igor Dreher (2º sem.) | 10/10/2016 | 0
Foto: Divulgação Petrobras / ABr - Agência Brasil
Foto: Divulgação Petrobras / ABr – Agência Brasil

A aprovação da exploração do pré-sal na costa brasileira sem a obrigatoriedade da participação da Petrobras implica na “entrega de uma riqueza que poderia financiar a educação, a saúde, gerar uma cadeia produtiva de empregos do Brasil. Vai virar uma lógica de mercado”,  avaliou o diretor do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio Grande do Sul (Sindipetro), Dary Beck Filho. O Sindipetro estuda formas de reação às mudanças que, conforme as especulações, deverão ser aprovadas pelo presidente da República.

Diante da possibilidade de efetivação do projeto, o diretor do Sindipetro teme que aconteça no Brasil o que houve na Holanda, na década de 1960, quando se estabeleceu uma crise no setor manufatureiro daquele país que encareceu os produtos internos. O fato se tornou conhecido como “doença holandesa”, relatou.

O diretor também citou o caso da estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales (YPF), na Argentina, que no início dos anos 1990 sofreu condições semelhantes e acarretou uma onda de desempregos e crises ambientais no país. “As multinacionais fizeram uma exploração predatória, quando se captam os recursos de maneira rápida e sem controle ambiental.”

Além de temer a exploração das multinacionais, o sindicato também lamenta a perda de investimentos da Petrobras, empresa que sempre foi vista como instrumento de desenvolvimento nacional. “Essa riqueza que ela gera tem que ser distribuída pelo país. Claro, deve se investir mais no pré-sal, mas também deve se investir em outras áreas. ”

Perguntado sobre consequências para o estado, Dary Beck Filho afirmou que “irá  diminuir o investimento, bem como o número de trabalhadores (que já decresce no setor). A possibilidade de se abrirem refinarias não irá acontecer”. A planta regasificadora em Rio Grande, aparelho destinado a refinar o gás natural trazido por navios e realocado em gasodutos, já é outro sonho perdido, acredita o diretor. “É uma cadeia. Todas essas coisas estão atreladas. Uma vez que se tiram uma delas, as outras vão caindo”, explicou.