Sociedade diz “sim” à reforma política em plebiscito

Com quase 8 milhões de votos, o plebiscito constituinte aprovou, em 24 de setembro, a realização de uma reforma política no Brasil. O resultado foi divulgado pelas lideranças do movimento em coletiva de imprensa realizada em São Paulo. A iniciativa popular mobilizou participantes entre os dias 1° e 7 de setembro em mais de 40.000 urnas espalhadas por todo o país.

O próximo passo será a realização de uma Plenária Nacional com as organizações sociais envolvidas, entre os dias 14 e 15 de outubro. E expectativa é de que cerca de 2 mil pessoas participem da entrega do resultado final aos três poderes nacionais, em Brasília. A grande dúvida agora é saber quais caminhos serão trilhados e como para que a reforma realmente ocorra e não caia no esquecimento.

Além disso, é preciso estabelecer quais são os fatores principais a serem analisados e questionados. De acordo com a professora e coordenadora do curso de Políticas Públicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Izabel Noll, trata-se de uma reforma exclusivamente eleitoral e partidária, tendo como um dos principais fatores a serem analisados a forma como são feitos os financiamentos de campanha. Dentre os vários pontos que precisam ser debatidos estão a legislação eleitoral, a situação dos partidos, maneira como funcionam, itens que ainda vão alimentar o debate.

Para a professora do curso de Ciências Sociais da PUCRS Ruth Ignácio, “as organizações de base são a única saída para o funcionamento da reforma. Os movimentos sociais e a participação popular são fundamentais para etapas que virão e para que todo o processo se mantenha com a ‘cara’ da população, como foi na ação do plebiscito.”

A proposta da reforma, para ambas as professoras, teve total mérito, independente da escala de pessoas que atingiu, por colocar um assunto dessa importância em questão. Com o plebiscito surgiram diversas dúvidas nas pessoas sobre o que se tratava e como funcionaria, entre outras. Esse foi o grande mérito da ação popular, o caráter educacional, fundamental para o debate político da população.

Texto: Pedro Silva (4º semestre)
Fotos: Betina Carcuchinski (4ºsemestre)