Surfistas gaúchos criam entidade para substituir a Federação em crise

  • Por: Luiz Henrique Escopelli (7º semestre) | Foto: Luiz Henrique Escopelli (7º semestre) | 17/06/2015 | 0

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As principais associações de surfe das praias do litoral norte gaúcho criaram no final de maio a Liga Riograndense de Surfe (LRS), entidade sem fins lucrativos, cujo objetivo é “regrar, organizar, fomentar e apoiar o esporte no estado”. O movimento é resultado da má fase enfrentada pela Federação Gaúcha de Surfe (FGS) e a consequente interrupção na realização de campeonatos no Estado há vários meses.

Após a última eleição para gestão da FGS, em 2013, houve o levantamento das dívidas da Federação junto à Fundação de Esporte e Lazer do Rio Grande do Sul (Fundergs), órgão estadual responsável pela liberação de recursos para eventos esportivos. Foram constatadas diversas irregularidades, sendo a principal delas uma dívida acumulada no valor de R$ 340.852,42, relativa a oito convênios – empréstimos do governo para investimento em campeonatos – cuja prestação de contas não apresentou notas fiscais registrando o destino dos recursos.

Com isso, a Federação Gaúcha de Surfe ficou impedida de realizar eventos de qualquer tipo. Os atletas, dependentes dos campeonatos para construir suas carreiras e obterem patrocínios e premiações, foram os principais prejudicados e, por isso, apoiaram a criação de uma nova entidade para organizar o surfe gaúcho. Orlando Carvalho, o antigo presidente da entidade, responsável no período em que ocorreram as irregulares encontradas pela nova gestão, reconhece que houve problemas na prestação de contas, mas nega o desvio de verbas destinadas aos eventos: “Faltaram alguns documentos e o repasse de recursos do Estado deixou de acontecer. Ninguém roubou ou pegou o dinheiro para si. Foi um engano na parte burocrática do processo.”

Segundo Nezilmo Pereira, presidente da Associação de Surfistas de Porto Alegre — que ainda não é filiada à recém criada LRS –, o processo de endividamento da FGS ocorreu ao longo de quase uma década: “Foram anos utilizando recursos do governo e deixando de prestar contas, apresentar notas fiscais e comprovar como o dinheiro foi gasto. Isso quebra diretamente as regras da Fundergs, já que para obter verbas o CNPJ da entidade cadastrada deve estar limpo, com tudo regularizado.”

O vice-presidente da FGS, Evandro Gomes, um dos integrantes da gestão que assumiu a Federação há dois anos, publicou uma declaração a respeito da criação da Liga em seu perfil no Facebook. “A notícia da LRS tem duas interpretações: de exclamação e de dúvida. Será que estes nomes que estão à frente na nova entidade conseguirão unir o surfe gaúcho? Será que o volume de entraves jurídicos de representação do esporte em âmbito estadual não tirará a legitimidade da liga? Será que a ausência de várias associações na composição não indicaria uma segregação do esporte? Será que os interesses políticos não atrapalharão os reais objetivos da Liga?”, pergunta-se.

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Questionado sobre a época em que assumiu a Federação e soube dos problemas enfrentados pela entidade, Gomes remete à mesma publicação no Facebook, que segundo ele reflete a posição oficial da entidade. O texto explica que sua intenção ao assumir a FGS era regularizar a situação: “A verdade é que em 2013, quando assumimos a FGS, sabíamos que havia algumas irregularidades. Eu achei que poderia limpar o nome da Federação com o Estado e colocar tudo em dia, mas me enganei. O surfe gaúcho envolve muito ego e disputa nos bastidores, isso dificulta tudo.”