Taxistas questionam possível prejuízo em pagamento antecipado

No dia 30 de outubro, um novo sistema de pagamento antecipado para táxis foi instalado na Capital, por enquanto restrito à rodoviária e ao aeroporto. O software ainda está em fase de testes, mas o supervisor de tecnologia da informação da Empresa Pública de Transportes e Circulação (EPTC), Felix Flesch, afirma que o programa é inteiramente projetado pela Companhia com parceria da Prefeitura e já pode ser utilizado, sem grandes problemas. Apesar da garantia da EPTC, alguns taxistas estão questionando a possibilidade de rotas diferentes das programadas terem que ser realizadas, o que pode trazer prejuízos.

As obras de pavimentação da cidade prejudicam o trânsito de todos, mas, para os taxistas, a questão é mais complicada por envolver a cobrança de valores por quilômetro: “O programa é semelhante ao Google Maps e calcula um preço a partir da tarifagem padrão, com 10% acrescidos ao valor, para contar os incidentes no engarrafamento. O que pode acontecer é o taxista ter que fazer uma rota diferente, porque o Google não aponta desvios ou ruas que mudaram de sentido recentemente”, avalia o supervisor do ponto do Aeroporto Salgado Filho, Jorge Oriques. Para ele, transparência e preço justo, tanto para passageiro quanto para motorista, são as principais vantagens desse modelo. “Para turistas, que não conhecem o trajeto, a segurança é muito maior ao pagar antes pelo menor trajeto”, explica.

O taxista Joarez Rocha Duarte trabalha no ponto há 25 anos e concorda quanto a ter mais segurança se a viagem for à noite, mas acredita que discrepâncias entre o custo real e o valor cobrado podem ser grandes em horários de pico. “Tem passageiro que não quer entrar em vilas, vielas. Se o Google calculou, temos que fazer esse trajeto? Aí, temos que conversar e ver qual a melhor forma. Acho que a Prefeitura deveria ter pensado mais antes de implantar esse sistema”, reclama Duarte.

Anteriormente, a tabela de zoneamento era responsável por calcular o preço das viagens, de bairro a bairro. Já o atual sistema faz a previsão pelo processo de roteamento, para dar mais confiança ao passageiro. “Acredito que as distâncias e os preços são justos para os dois lados, nunca vai estar 100%, mas estamos quase lá”, afirma o supervisor Oriques. No dia da estreia, os funcionários ainda tinham dificuldade em operar o programa, mas um treinamento estava sendo planejado para o fim do dia.

Em torno das 14h o pagamento entrou em fase inicial e os primeiros clientes puderam retirar o “voucher”. Oriques explicou que dez táxis ficam separados para pagamento com cartão de crédito ou débito pelo guichê PortoAero. Para tanto, os taxistas recebem uma senha e aguardam ao lado do balcão para serem chamados e realizar a “corrida”. Pelo novo software, alguns já haviam saído e o largador aguardava o momento de colocar mais carros na rua. No local, 210 táxis estão preparados para essa função e a expectativa é de que o programa seja mais usado.

Já na Rodoviária, o sistema começou a funcionar na manhã do dia 30. Porém, poucos clientes haviam aparecido. Para o operador do Ponto da Rodoviária Marcio Correa, os 392 carros da frota vão aderir em breve ao formato. “Aqui aceitamos em dinheiro também, não só cartões, então é uma boa para quem quer ter certeza do preço pelo caminho mais curto”, avalia. No local, a implantação vai durar alguns dias e a inovação se fez necessária para aliar precisão e praticidade, diz Correa: “Não é só uma coisa boa para o viajante, mas qualquer passageiro. Claro que fica a critério, se a pessoa quiser ainda pode usar o taxímetro normalmente.”

Mesmo assim, na Estação Rodoviária o número de pagamentos antecipados é pequeno: mais de 60% das pessoas preferem passar direto na fila e pagar no destino final. Já o aposentado Osvaldo Dick relata sempre usar cartão e considera a inovação é necessária: “Acho uma ótima ideia. Me sinto bem seguro assim.”

Texto: Júlia Bernardi (4º semestre)
Fotos: Yanlin Costa (3º semestre)