“Ter um governo de sobrevivência seria dramático”, afirma Vladimir Safatle

  • Por: Vitória Mollerke | 27/03/2015 | 0

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Ainda é difícil saber quais serão as repercussões das manifestações de 15 de março último, declarou o filósofo e colunista Vladimir Safatle em Porto Alegre, em palestra no dia 25 de março, quando proferiu a aula inaugural dos cursos de pós-graduação em Filosofia e Comunicação da PUCRS. “É difícil saber porque este é um momento de indeterminação muito grande na história brasileira. Tudo pode acontecer, inclusive, nada — e nada significa que o governo continua e vai tentar sobreviver por quatro anos. O que seria dramático é você ter um governo sobrevivência”, analisa.

O colunista da Folha de São Paulo e professor da Universidade de São Paulo acompanha semanalmente com visão crítica os acontecimentos da política brasileira. Questionado sobre a forma como os brasileiros se apropriam dos conceitos “direita” e “esquerda” pelos brasileiros, Safatle observa que eles demonstram sensibilidade:  ”Quando você pega questões econômicas, você percebe que essa discussão é muito clara. Tem aqueles são contra qualquer tipo de intervenção do estado e outros que são claramente a favor da presença do estado como garantidor.”

Com a relação à existência ou não de uma polarização entre esquerda e direita no Brasil, o colunista considera que a história brasileira sempre foi muito polarizada, inclusive com grandes manifestações de rua. “Eu acho que a esquerda existe, talvez não esteja muito bem organizada ultimamente devido ao peso do que significou os últimos anos do governo federal, mas acho que existe, sim”, completa.

Sobre a mídia e seu poder de formar opinião, o professor ressalta que “a mídia não consegue formar opinião política, talvez alguns setores da imprensa gostariam de acreditar que têm esse papel, mas eu não acredito que tenha esse papel exclusivo”. “A formação da opinião pública é um processo que passa pela imprensa, pelas experiências concretas que você tem com as pessoas a sua volta, pela experiência familiar e por uma série de outras dimensões”, explica.