Trincheira da discórdia na rua Anita Garibaldi

  • Por: Vitória Mollerke (2º semestre) | Foto: Betina Carcuchinski (divulgação/Prefeitura de Porto Alegre) | 21/05/2015 | 0

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Sob o olhar pouco receptivo de comerciantes e moradores das proximidades, reiniciaram-se, na segunda-feira (18/5), os trabalhos de construção do novo túnel na rua Anita Garibaldi, em Porto Alegre. Paralisada havia quase três meses, a obra na trincheira da Anita Garibaldi, túnel que cruza com a Terceira Perimetral, recomeça com um novo consórcio responsável, devido à desistência do vencedor da licitação, e deve ser entregue em cerca de dez meses.

Diante da retomada do movimento no local, comerciantes e empresários das redondezas relataram os prejuízos acumulados desde o início da obra, em 2013. Falta de gás, energia e água são alguns dos problemas enfrentados por comerciantes locais. Cleiton Ott, gerente do restaurante Anita, situado próximo à trincheira, apontava, na segunda-feira, os prejuízos pela falta de estacionamento para os clientes e pelo fato de a rua estar sem pavimentação, o que torna difícil o acesso ao seu estabelecimento. Isso piora em dias chuvosos, pois o chão arenoso se transforma em barro. “Em dia de chuva, a gente não existe, dá para dizer que não tem movimento”, conta desolado.

Outra reclamação é a falta de aviso sobre os cortes de energia. O comerciante lembra das constantes quedas no verão, que impossibilitavam o uso de ar-condicionado, espantando seus clientes. A falta de comunicação com moradores, trabalhadores e empresários das proximidades, por parte da prefeitura, sobre o andamento da obra, é uma das queixas mais frequentes que se ouve.

O síndico Vitor Bona, que trabalha no prédio comercial Condomínio Atrium Center há 12 anos, reforça a voz dos descontentes. “A prefeitura não comunica nada, o que a gente sabe é pelo jornal”, alega. Bona conta que os moradores do seu prédio reclamam da sujeira feita pela obra e que as lojas tiveram que negociar seus aluguéis devido à pouca circulação de pessoas e a falta de lugar para estacionar.

Novembrino Silveira mora há 40 anos na área. Na segunda, ele saiu de casa para ver a retomada das obras. Para o aposentado, o túnel será muito bom, mas concorda que o período parado e, agora, o recomeço atrapalham os moradores. “Estamos numa época em que o combustível está bastante caro e nós ficamos gastando combustível, dando voltinhas para chegar em casa”, disse, referindo-se às obstruções no trânsito.

O túnel é uma das cinco grandes obras previstas para melhorar o trânsito da Terceira Perimetral e deveria estar pronto para a Copa do Mundo de 2014. O atraso nas obras ocorreu devido à descoberta de uma grande rocha, não encontrada em duas sondagens anteriores, o que aumentou os custos e fez o consórcio vencedor da licitação desistir de continuar o trabalho.

Segundo informações da prefeitura, o estágio atual da obra é 39% realizado, e o prazo para o novo consórcio conclui-la passou a ser março de 2016. O túnel terá extensão de 211 metros, e seu valor atualizado, em função da descoberta da rocha, passou dos R$ 9 milhões para R$ 13 milhões.

Questionada sobre os problemas ocorridos com a obra e as reclamações das pessoas das imediações, a assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Obras e Viação forneceu dados já conhecidos do projeto e do andamento da construção, sem abordar as queixas dos comerciantes e moradores.