Turbulências no horizonte do Governo Temer

Projeções consideram que desempenho da economia indicará as perspectivas políticas para nova administração

  • Por: Suellen Santos (6º sem.) | Foto: Camila Lara (4º sem.) | 01/09/2016 | 0
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Protestos e confrontos marcaram o primeiro dia do governo de Temer. Na foto Jussara Cony, do PCdoB, protege-se de bombas jogadas pela polícia.

Os movimentos sociais irão lutar contra os retrocessos, anunciou a Central Única dos Trabalhadores (CUT) de Porto Alegre, horas após o afastamento de Dilma Rousseff da presidência da República. Na mesma direção, o sociólogo Jorge Machado, professor da Escola de Humanidades da PUCRS, apontou que as perspectivas para o governo Temer são de enfrentar um período de turbulência, pois “os sindicatos e movimentos sociais não aceitaram de forma serena a perda de importância dada a eles nestes últimos 13 anos”.

Agora, os graus de liberdade diminuíram, argumenta o economista Leandro de Lemos que diz que “a realidade econômica será o juiz do governo Temer. Também, é importante saber se a Lava-Jato continuará na mesma trajetória e levará a cabo as delações premiadas da Odebrecht ou haverá panos quentes e acomodação também”.

Em manifesto, a CUT Porto Alegre comenta que o dia 31 de Agosto de 2016 será lembrado com tristeza pela causa das minorias e enfatiza que não é momento de abaixar a cabeça para o novo governo. “Essa tristeza vai se espalhar até nos corações dos indiferentes, quando notarem, a despeito do silêncio da mídia, que o projeto dos golpistas é rasgar a Constituição de 1988”, frisa Vagner Freitas, diretor nacional da CUT.

Para os representantes da CUT, as propostas divulgadas pelo governo Temer não favorecem o interesse dos trabalhadores. “O ministro ilegítimo da Saúde já disse que o SUS, é excessivamente grande e, portanto, precisaria ser cortado, diminuído, desmontado”.

O sociólogo Jorge Machado enxerga a mudança com bons olhos, acreditando que a questão econômica do país irá melhorar. Segundo ele, um dos grandes erros do governo Dilma foi a intervenção no sistema elétrico e nos subsídios como no caso da gasolina.

“Acho que o fato de termos dois presidentes cassados em menos de 25 anos demonstra as dificuldades do sistema presidencialista em nosso país. Deveríamos rever o modelo na medida em que, no parlamentarismo, a deposição do primeiro ministro é menos traumática”, raciocina o sociólogo.

Leandro de Lemos, economista e professor da Faculdade de Administração, Contabilidade e Economia da PUCRS, não vê a possibilidade da gestão macroeconômica atual levar a economia para a retomada de crescimento sustentado. “As reformas necessárias são profundas e mexem com interesses de grandes grupos que sempre se beneficiaram do endividamento do estado”.

Para o economista, “vingar um processo de recuperação ou colapso, precisaríamos de uma outra conjuntura na qual o risco sistêmico e institucional estivesse muito elevado”.