UEE enxerga Copa como um momento de alegria e prefere se focar no passe livre

A menos de um mês antes da Copa do Mundo, a União Estadual dos Estudantes (UEE) planeja uma manifestação no dia 29 de maio, às 9h da manhã, com concentração no Largo Glênio Peres. O protesto vai ter duração de 20 minutos, sem a intenção de atrapalhar o trânsito ou os transeuntes.

O presidente da UEE, Fabio Kucera, explica que o protesto terá a Copa do Mundo como uma das pautas, mas não será o seu foco, que continua sendo, desde o ano passado, o passe livre para estudantes. “A copa do mundo é importante, mas não podemos esquecer do passe livre, que interfere no cotidiano da pessoas”, ressalta Fabio. Ele garante que a jornada de protestos não tem como objetivo a violência e sim a reflexão: “É necessário que o indivíduo repense seu estilo de vida e não que saia quebrando o patrimônio por aí.”

Em entrevista ao Editorial J, Fabio Kucera adverte que a UEE não é contra a realização da Copa do Mundo. Ao invés disso, a entidade enxerga o evento como um momento de alegria, onde a população exalta sua paixão pelo futebol e defende o seu país. Além disso, é essencial para a unificação da pátria. Por outro lado, há a questão dos enormes gastos em estrutura, que não condizem com a realidade de investimentos nas necessidades básicas do povo. “Nós não somos contra o nosso país, não somos contra os jogadores e não somos contra o nosso povo”, exalta Fabio, ao defender a realização do evento.

Qual é o posicionamento da UEE em relação à copa?

Primeiramente, quando se fala em Copa do Mundo, estamos falando de uma paixão que não é só nacional, mas é também mundial. Essa paixão é um sentimento que leva as pessoas a sonhar, a acreditar e querer defender o país; Isso, nós não podemos negar que é muito precioso e faz com que a pátria se unifique. O outro fator é mais atual, é o fator mercadológico, uma questão da FIFA, que é uma federação que de alguma forma se apropria e patenteia suas ideias e vende inescrupulosamente. A maioria das pessoas não é contra a copa do mundo e sim aos gastos do evento.

Acredito que quando fazemos essa reflexão, devemos pensar nos dois pontos de vista: o grande espetáculo, que representa uma grande alegria, mas também há o contraponto da lógica capitalista, que se refere à sociedade de consumo. Esse modelo que vivemos prioriza as estruturas e esquece do ser humano. Não digo só a FIFA, mas também o governo, as pessoas.

Em relação a esse protesto, vocês vão se unir com algum outro movimento ou entidade?

Pois é. As mobilizações de 2013 nos trouxeram uma reflexão muito forte, pois a nossa entidade não trazia bandeira. Existiam alguns coletivos, um desses era o do bloco de lutas e dentro do mesmo haviam juventudes partidárias, como por exemplo o PSOL e o PSTU . Nós tomamos uma decisão aqui na UEE que nós não deveríamos disputar a frente, mas sim participar no meio e nos diluirmos sem camiseta e sem bandeira.

Depois daquilo, nós tivemos uma resposta como entidade . Esse grupo que liderou e tomou a frente perdeu por 500 votos a eleição do DCE da UFRGS. O que nós pensamos então é que nós não vamos chamar uma mobilização do Bloco de lutas. Dessa vez, nós vamos fazer uma mobilização apenas como UEE e não em ação conjunta. Vamos dialogar com os estudantes em relação à copa do mundo.

Sobre a questão do passe livre: estão satisfeitos?

Não. Há muitos impasses ainda para o sucesso da implementação do passe livre. Ouvimos reclamações gigantescas na região metropolitana. Estamos tentando lutar pelo direito dessas pessoas. Já faz cinco meses que o projeto começou e vem beneficiando estudantes e secundaristas, porém no interior do Estado só tem a promessa (a carteira do passe livre). Queremos representar nossos estudantes e não viver como uma entidade engessada.

Texto: Sofia Schuck e Caroline Grüne (1º semestre)