UEE/RS atrasa produção de carteiras de estudantes e provoca reclamações

Ex-presidente da entidade, Fábio Vieira Kucera, e a secretária geral Ana Lúcia da Silva Filho foram afastados pelo desvio de cerca de R$ 100 mil

  • Por: Gabriel Bandeira (3° semestre) | Foto: Alicia Porto (5° semestre) | 06/04/2017 | 0
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Estudantes não obtiveram resposta sobre as novas carteiras.


Desde o final de março, a União Estadual dos Estudantes do Rio Grande do Sul enfrenta queixas de estudantes insatisfeitos. A entidade ajuda na produção do passe livre, meia entrada e TRI escolar. Com dificuldades para fazer o contato, devido à mudança de endereço da UEE/RS, as pessoas reclamam da demora da entrega dos carteiras, do site que não funciona e dos problemas na hora de envio da documentação. Além disso, os telefones da instituição não atendem.

Antes, em caso de renovação, as carteiras eram feitas de três a cinco dias, e quem fazia pela primeira vez, costumava esperar cerca de uma semana. Agora, quem deseja fazer ou renovar a sua carteira estudantil, deve ir até o prédio amarelo da IERGS/Uniasselvi, na rua Vigário José Inácio, 153, na esquina da rua Voluntários da Pátria, novo endereço da entidade.

Hoje, quem visita a antiga sala, localizada no segundo andar do Mercado Público, encontra apenas uma porta fechada com o novo endereço e o anúncio de interdição pela Prefeitura. “Onde fica esse lugar?”, questionava Cíntia Marquetti, estudante de Educação Física da UFRGS, ao encontrar a porta fechada. Ela estava indo pegar o seu cartão e o do filho, que já deveriam estar prontos.

Para a União Nacional dos Estudantes, criada em 1938, a ligação com a sede gaúcha não é sequer reconhecida. Vice-diretor da UNE, Giovani Culau Oliveira, conta que o grupo separou-se devido à falta de democracia nas eleições e pelas denúncias de má utilização dos recursos. “Desde a década de 90, a UEE/RS virou ponto da criação de carteiras e não de representação dos estudantes”, denuncia Culau. No estado, a UNE reconhece apenas a União Estadual dos Estudantes Livre RS (UEE Livre RS), criada em 2009.

Explicando os motivos para a separação dos dois grupos, o tesoureiro da UEE Livre RS, Fellipe Belasquem, conta que, na época, a UEE/RS havia perdido o seu caráter de representação e nem havia congressos. “Já suspeitávamos que o uso do dinheiro não ia para os estudantes. O dinheiro recolhido do cartão TRI também não se sabe para onde vai.” Belasquem afirma que a UEE/RS conseguiu a autorização para produzir os documentos com a Prefeitura, através da relação de membros com partidos políticos.

Na terça-feira (4), a Justiça afastou o presidente da UEE-RS, Fábio Vieira Kucera, e a secretária-geral da entidade, Ana Lúcia da Silva Filha devido à suspeita de terem desviado cerca de R$ 100 mil da instituição. No cargo desde 2013, Kucera pedia repasses semanais sob pretexto de ajuda de custo. Segundo a tesouraria, os desvios eram cometidos desde 2016. Fora da polêmica, a UEE Livre RS já havia realizado a sua prestação de contas duas semanas antes do ocorrido.

Procurados os integrantes da UEE/RS não comentaram o assunto. No contato pelo Facebook, uma resposta previamente escrita informa que  o site da entidade foi retirado do ar pelo ex-presidente, que também levou consigo parte da documentação dos estudantes. A mensagem explica que a sede do Mercado Público foi interditada pela Prefeitura, “após a contratação de capangas armados por Kucera e Ana Lúcia, que atentaram contra a segurança do local”. A fim de fazer um levantamento correto de todas as pendências, a equipe está disponibilizando um formulário online que deve ser preenchido por quem busca informações sobre seus documentos.